Crise

EUA garantem que não ponderam intervenção militar na Venezuela

EUA garantem que não ponderam intervenção militar na Venezuela

O enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliot Abrams, garantiu na terça-feira, em conferência de imprensa, que "ninguém está a falar numa intervenção militar" no país, "exceto o regime [de Maduro] e os russos".

Elliot Abrams disse hoje, em Washington, que todas as opções permanecem em aberto, mas antes de uma intervenção militar, os Estados Unidos vão optar por intervir em áreas decisivas, como a económica e financeira, para abalar o regime de Maduro.

O enviado especial para a Venezuela disse que os Estados Unidos "têm muitos passos a dar" para atingir o regime de Maduro antes de chegar à necessidade de uma intervenção militar, tema que ainda não foi tocado pela administração norte-americana.

Segundo o responsável, a política norte-americana na Venezuela consiste em apoiar a instalação da democracia e pressionar a administração estatal venezuelana, que se tem mostrado "ineficiente" e "corrupta".

De acordo com o antigo conselheiro-adjunto para segurança interna na administração de George W. Bush, o apoio à democracia pelos Estados Unidos traduz-se no apoio à Assembleia Nacional e ao Presidente interino.

Sanções económicas e o cancelamento de vistos de entrada nos EUA de cidadãos venezuelanos são as principais maneiras que os Estados Unidos encontraram para pressionar, disse Elliot Abrams, prometendo que, nos próximos tempos, haverá um número ainda maior de vistos recusados ou retirados.

Na semana passada foram retirados 59 vistos a cidadãos venezuelanos.

O enviado especial reafirmou a satisfação dos EUA pelo regresso seguro, na segunda-feira, de Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela, e saudou os 54 países que, até agora, o reconheceram como líder provisório legítimo.

O representante norte-americano elogiou o trabalho de Guaidó junto dos funcionários públicos, depois de ter sido declarada uma greve da administração pública, ainda sem data marcada, que será precedida por reuniões com funcionários públicos despedidos por razões políticas.

Os Estados Unidos apoiam também as conversações entre a oposição (liderada por Guaidó) e membros das forças militares e do "partido chavista", dizendo que "os militares terão um papel importante no futuro da Venezuela" no combate ao regime.

Quanto aos cerca de 130 países que mantêm o apoio a Maduro e rejeitam a proclamação de Guaidó, o representante especial norte-americano disse que nenhum desses países é uma democracia e que, na maior parte, têm medo de retaliações e de perder benefícios se se declararem contra o atual governo.

Em alguns casos, essas razões prendem-se com dívidas monetárias ao regime e com a preocupação do que pode acontecer aos cidadãos nacionais a viver na Venezuela, querendo esses países manter representação consular para poder prestar apoio aos cidadãos que se encontrem em situações difíceis, afirmou

"A minha impressão é que há muito poucos países que realmente apoiam Maduro", disse Elliot Abrams, indicando como exemplos a Rússia, China e Cuba.

"O mesmo é dizer que não há democracias a apoiar Maduro", acrescentou.

Questionado sobre se os EUA se preocupam com os resultados das sanções económicas na população, o responsável comentou que estas alegações "não fazem sentido" porque o objetivo das sanções é "afetar o regime e não a população", que já vem sofrendo com uma taxa de inflação de preços a um milhão por cento.

Elliot Abrams considerou que "o regime tem um grande histórico de destruição da economia", que se tem verificado através da "má gestão, uma vasta corrupção e através do roubo de património que pertence ao povo venezuelano", dando como exemplo as contas bancárias recheadas de grandes valores, pertencentes a apoiantes e "infiltrados" de Maduro.

O responsável acrescentou que ainda não há decisões sobre a aplicação de sanções secundárias, dirigidas a outros poderes públicos ou a autoridades venezuelanas, mas admitiu que são "uma possibilidade".

Elliot Abrams elogiou a união dos venezuelanos a favor do movimento da oposição liderado por Juan Guaidó, considerando que é um "bom sinal de mudança" por parte do povo e defendeu que os cidadãos e os militares venezuelanos têm de se assumir na luta pela Constituição, pelo estado de direito e pela democracia no país.

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