Israel/Palestina

EUA pedem "ambiente melhor" que leve a solução de dois Estados

EUA pedem "ambiente melhor" que leve a solução de dois Estados

Os Estados Unidos apoiam a solução de dois países para a resolução do conflito israelo-palestiniano, disse o secretário de Estado Antony Blinken, pedindo que as duas partes criem um "ambiente melhor".

"No final, é possível recuperar os esforços para alcançar uma solução de dois Estados, que continuamos a ver como a única maneira de garantir o futuro de Israel como um Estado judeu e democrático e, claro, de dar aos palestinianos o Estado a que têm direito", explicitou Antony Blinken, em conferência de imprensa, em Jerusalém, no final de uma visita a Israel.

O secretário de Estado dos EUA não detalhou o papel que Washington, um dos principais mediadores deste conflito, poderá desempenhar com vista a esta solução.

Contudo, Blinken advertiu os israelitas e palestinianos contra "qualquer ação" que possa reacender as faíscas do conflito ou menorizar os esforços para manutenção da paz, desde "atividades de colonização, demolição" ou "expulsão", aludindo a Israel, assim como "apelos à violência ou ao financiamento do terrorismo", aludindo ao Hamas e à Jihad Islâmica.

As negociações de paz entre o Estado hebraico e palestinianos, relançadas sob a égide da administração do democrata Barack Obama, estão suspensas desde 2014. O conflito tem reacendido pontualmente, nomeadamente por causa do estatuto de Jerusalém Oriental e da colonização israelita dos territórios palestinianos.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Dominic Raab, viajou para Israel, para uma reunião com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. O diplomata vai visitar a Cisjordânia para reunir-se com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, de acordo com o gabinete do governante.

Através de um comunicado divulgado pela tutela, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico referiu que "os acontecimentos do último mês demonstraram a necessidade urgente" de haver um "progresso genuíno" no sentido de alcançar um "futuro mais positivo para israelitas e palestinianos", que corte com o "ciclo de violência" que provocou a morte de imensas pessoas ao longo dos anos.

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11 dias de guerra, 265 mortos

O último "pico" deste conflito começou em 10 de maio e prolongou-se durante 11 dias. Este "reacendimento" provocou a morte a 253 pessoas, incluindo 66 crianças, no território palestiniano, e 12 em Israel, incluindo duas crianças.

O cessar-fogo entrou em vigor na última sexta-feira (dia 21 de maio).

Os territórios palestinianos são constituídos por duas zonas separadas geograficamente por Israel: a Cisjordânia - incluindo teoricamente Jerusalém Oriental - e a Faixa de Gaza, que deveriam formar um Estado palestiniano coexistindo com o Estado hebreu.

Mas esta solução para o conflito israelo-palestiniano, designada de "dois Estados", parece comprometida e cada vez mais distante, nomeadamente devido à expansão dos colonatos judeus nos territórios palestinianos.

Governada durante quatro séculos pelo Império Otomano, a Palestina fica, em 1922, sob o mandato do Reino Unido, que se compromete a criar na zona um "lar nacional judeu". Londres enfrentou a Grande Revolta Árabe de 1936 a 1939 e, a partir de 1945, a luta armada de grupos sionistas clandestinos.

Em 1947, a ONU aprovou a partilha da zona em dois Estados independentes, um árabe e o outro judeu, bem como a criação de uma zona internacional em Jerusalém.

No dia seguinte ao da proclamação do Estado de Israel, a 14 de maio de 1948, os países árabes entram em guerra com o novo Estado. No final do conflito, Israel ocupa 78% da Palestina sob mandato britânico. Mais de metade da população palestiniana - 760 mil pessoas - segue o caminho do êxodo.

Durante o conflito israelo-árabe de 1967, Israel ocupa, além de parte dos montes Golã sírios e do Sinai egípcio, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que anexa posteriormente.

Situada a leste de Israel e a oeste da Jordânia, a Cisjordânia, com 5.655 quilómetros quadrados, está ocupada pelo exército israelita há mais de 50 anos.

Após os acordos de Oslo sobre a autonomia palestiniana, assinados em 1993, o chefe da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, regressa aos territórios ocupados e estabelece a Autoridade Palestiniana. Em 2005, sucede-lhe Mahmoud Abbas.

A Autoridade exerce poderes limitados em cerca de 40% da Cisjordânia, principalmente os centros urbanos. Israel, que controla todos os acessos, administra 60% do território, além dos seus colonatos.

Patrulhada pelo exército israelita, a Cisjordânia está encerrada a oeste pela barreira de separação que Israel começou a construir em 2002 para impedir os ataques palestinianos.

Cerca de 475 mil israelitas vivem em colonatos considerados ilegais pela lei internacional na Cisjordânia, ao lado de 2,8 milhões de palestinianos.

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