Covid-19

Europa considera aumentar restrições para evitar quarta vaga

Europa considera aumentar restrições para evitar quarta vaga

O receio que uma quarta vaga de covid-19 provoque um aumento descontrolado de infeções, especialmente durante as férias da Páscoa, levou vários países europeus a considerar medidas mais restritivas para evitar também a saturação nas Unidades de Cuidados Intensivos.

País confinado na semana Santa

Itália contabilizou 417 mortes devido à covid-19 nas últimas 24 horas e a pressão hospitalar aumentou, enquanto 12.916 novas infeções foram registadas, menos em comparação com os últimos dias devido a menos testes realizados, segundo o Ministério da Saúde.

O número de óbitos em Itália desde o início da emergência sanitária, em fevereiro do ano passado, subiu para 108.350, num total de 3.544.957 infeções.

Quanto as restrições para evitar a propagação do vírus, a partir de hoje 10 regiões italianas estão na zona "vermelha", aquela com maiores restrições, e assim vão continuar para os três dias festivos da Semana Santa, 3, 4 e 5 de abril, quando todo o país estará em confinamento.

A indústria hoteleira italiana está indignada devido à confirmação da permissão de realizar viagens ao exterior durante essa semana, enquanto o país está praticamente confinado com as atividades encerradas e a proibição de circulação entre regiões.

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"Não posso sair da minha cidade, mas posso voar para as ilhas Canárias. É um absurdo que 85% dos hotéis italianos se vejam obrigados a permanecerem encerrados", indicou Bernabò Bocca, presidente da Federalberghi, a associação que reúne os hoteleiros do país, numa entrevista hoje ao jornal Corriere della Sera.

Setor da Saúde pede um "verdadeiro confinamento"

A saturação nas Unidades de Cuidados Intensivos em França tem levado o setor da saúde a levantar a voz para exigir ao Presidente da República, Emmanuel Macron, um "verdadeiro confinamento" que permita reduzir a pressão a que estão submetidos.

Enquanto aguardam que a estratégia de vacinação se traduza numa desaceleração da epidemia, a sua constatação é clara: sem medidas mais restritivas, só terão a opção de transferir pacientes para regiões menos afetadas, abrir novas camas de reanimação ou selecionar os doentes que podem cuidar.

A taxa de incidência em sete dias chegou aos 362 casos por cada 100 mil habitantes, muito acima do nível de alerta de 50.

Merkel defende restringir circulação interna

A Alemanha vai exigir, a partir da meia-noite, um teste negativo à covid-19 para quem entre no país através da via aérea, enquanto a chanceler, Angela Merkel, defende a restrição de movimentos internos e estuda como os ministros-presidentes das regiões implementam consistentemente as medidas acordadas.

A obrigatoriedade do teste foi introduzida como resposta às muitas reservas em Maiorca, Espanha, quando as ilhas Baleares deixaram de ser consideradas como zona de risco e tem como objetivo garantir que os viajantes regressem saudáveis ao país, segundo o comissário para o Turismo do governo alemão, Thomas Bareiss.

O aumento da procura de viagens para Maiorca obrigou o Executivo a apelar à população a prescindir de viagens desnecessárias e a companhias aéreas e operadores turísticos a não oferecer voos adicionais, mas teve pouco sucesso.

A chanceler disse que uma medida estrita de limitação de movimentos da população - que até ao momento ainda não foi imposta na Alemanha - poderia ser eficaz.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, destacou hoje que as medidas acordadas entre o governo federal e os responsáveis regionais oferecem "instrumentos eficazes" para o combate à pandemia.

Entre estas novas ferramentas, destacou o "travão de emergência" a ser aplicado a nível regional quando a incidência semanal ultrapassar os 100 novos casos por cada 100 mil habitantes: recolher obrigatório, redução de contactos e teletrabalho, que está a ser utilizado menos do que o desejado.

A incidência cumulativa na Alemanha continua a aumentar e é agora de 134,3 novos casos por 100 mil habitantes, com cerca de 211.500 casos ativos.

Restrições até 30 de abril

A Espanha prolongou até 30 de abril a restrição temporária de viagens não essenciais de países terceiros para a União Europeia e países associados ao espaço europeu Schengen.

O país roça o alto risco de transmissão da doença covid-19 (mais de 150 infeções por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias) ao aumentar a incidência média cumulativa para 149,2 casos, segundo dados oficiais publicados hoje.

O Ministério da Saúde contabilizou 15.501 infeções e 189 mortes desde sexta-feira, com o número total de contagiados a atingir os 3.270.825 desde o início da pandemia, em fevereiro do ano passado, e o total de óbitos a subir para 75.199.

Foram administradas 536 milhões de doses em todo o Mundo

As redes de saúde de todo o mundo já administraram 536 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, mas a distribuição continua bastante desigual, com três em cada quatro doses concentradas nos 10 países mais ricos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, recordou que a embora a vacinação já tenha começado em 177 nações, ainda não arrancou em 36 países, e que o fato de 76% das doses inoculadas se concentrar em 10 países é prejudicial para toda a comunidade internacional.

Origem da covid-19

O tão esperado relatório da missão que investigou a origem da covid-19 na China, cujo resultado foi divulgado hoje por vários meios de comunicação, vai ser publicado formalmente na terça-feira, embora se antecipe que "todas as hipóteses continuam em cima da mesa", anunciou o diretor-geral da OMS.

Segundo as agências AFP e AP, que hoje tiveram acesso a uma minuta do relatório, este defende que a teoria mais provável da origem da pandemia seja a transmissão do coronavírus de morcegos para humanos através de outro animal, enquanto a hipótese de ter sido criado num laboratório chinês é "extremamente improvável".

Estas conclusões são semelhantes aquelas que o chefe da missão, Peter Ben Embarek, tinha avançado na conferência de imprensa de 9 de fevereiro em Wuhan, no final da visita de especialistas, que contou com a colaboração dos homólogos chineses.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.784.276 mortos no mundo, resultantes de mais de 127 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.843 pessoas dos 820.716 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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