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Europa reforça necessidade de travar escalada violenta após morte de Soleimani

Europa reforça necessidade de travar escalada violenta após morte de Soleimani

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, sublinhou, sábado, a necessidade de travar uma escalada violenta no Médio Oriente após a morte do general iraniano Qassem Soleimani num ataque norte-americano em Bagdade.

As declarações de Josep Borrell surgem depois de uma conversa com o homólogo iraniano, Mohammad Javad Zarif, durante a qual o alto representante da União Europeia para a política externa e de segurança afirmou ter discutido com o ministro iraniano os "recentes desenvolvimentos" na região.

"Sublinhei a necessidade de contenção e se evitar toda uma nova escalada" de violência, adiantou Borrell numa mensagem publicada na sua conta na rede social Twitter.

De acordo com a mesma fonte, foi igualmente "discutida a importância de preservar o acordo de Viena sobre o [programa] nuclear no Irão, que se mantém crucial para a segurança mundial".

"Comprometo-me a ter um papel de coordenador", acrescentou o responsável da UE.

Dezenas de milhares de iraquianos, incluindo governantes, participaram hoje no funeral das vítimas do ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdad, na sexta-feira, no qual morreu o comandante da força de elite iraniana Al-Quds, Qassem Soleimani, e que provocou uma escalada de tensão no Médio Oriene.

Enquanto decorriam as cerimónias fúnebres, foguetes e morteiros atingiram a zona onde está situada a embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, cujas forças de segurança de imediato ativaram mecanismos de defesa.

Durante a cobertura mediática da cerimónia fúnebre, a televisão estatal iraquiana acusou os Estados Unidos de estarem a voltar a atacar o Iraque, referindo-se a uma nova ofensiva, na sexta-feira, em que pelo menos cinco pessoas morreram, a norte de Bagdad, que teve como alvo dois veículos de membros da Hachad al-Chaabi, a milícia iraquiana apoiada pelo Irão.

No domingo, o parlamento iraquiano realizará uma sessão extraordinária, durante a qual será denunciado o acordo que enquadra a presença dos cerca de cinco mil solidados norte-americanos no país.

O comandante da força de elite iraniana Al-Quds, Qassem Soleimani, morreu sexta-feira no ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas - Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem as partes envolvidas que reduzam a tensão. O quinto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU são os Estados Unidos.

No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos.

Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".

Do lado iraquiano, o primeiro-ministro iraquiano demissionário, Adel Abdel Mahdi, advertiu que este assassínio vai "desencadear uma guerra devastadora no Iraque" e o grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, considerou o assassínio de Qassem Soleimani "um ataque injustificado" e "uma violação flagrante da soberania iraquiana".

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