EUA

Ex-advogado de Trump diz que este soube dos "mails" de Clinton

Ex-advogado de Trump diz que este soube dos "mails" de Clinton

Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Donald Trump, disse esta quarta-feira no Congresso que o presidente dos Estados Unidos sabia de contactos com a Wikileaks para a divulgação de "mails" da candidata Democrata à presidência Hillary Clinton.

Michael Cohen também sugeriu que Donald Trump o levou a mentir aos congressistas sobre o seu envolvimento num projeto imobiliário em Moscovo, quando decorria a eleição presidencial de 2016, e com o conhecimento do atual Presidente, segundo o depoimento feito a uma comissão de inquérito do Congresso, a que a Associated Press teve acesso.

O antigo advogado de Trump, que classificou o Presidente como "racista" e "fraudulento", disse que Trump sabia que um dos seus colaboradores, Roger Stone, estava em contacto direto com o fundador da empresa Wikileaks, Julian Assange, para preparar a divulgação de milhares de "mails" de Hillary Clinton, com o objetivo de prejudicar a campanha da candidata Democrata, adversária de Trump.

"Muita gente me perguntou se Trump sabia sobre a divulgação de "mails" de Clinton, ainda antes de eles terem sido tornados públicos. A resposta é: sim", disse Cohen.

Estas declarações de Cohen contrariam afirmações de Trump, que tem dito desconhecer por completo qualquer envolvimento dos seus assessores na divulgação dos "mails" de Hillary Clinton e que nunca esteve em conluio com o governo russo no processo de alegada interferência nas eleições presidenciais de 2016.

Sobre o envolvimento no projeto imobiliário, Cohen confessou que Trump não lhe pediu diretamente para mentir no Congresso, mas que foi dando indícios de que deveria mentir, para o salvaguardar.

Contudo, Cohen também reconheceu que não tem provas concretas de conluio entre a equipa de campanha de Trump e o governo russo, sendo esse um dos pontos centrais da investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller.

Cohen disse ainda que os advogados de Donald Trump "reviram e editaram" a declaração que fez ao Congresso, em 2018, mentindo e levando-o posteriormente a admitir o crime de ter mentido, que lhe valeu uma pena de prisão de três anos e meio que irá começar a cumprir em maio.

"Estou envergonhado por ter escolhido participar em atos ilícitos de Trump, em vez de ouvir a minha própria consciência", afirmou hoje Cohen, perante a comissão do Congresso.

Nos últimos dias, Michael Cohen tinha prometido que levaria "uma bala" contra o Presidente dos Estados Unidos nas declarações que faria no Congresso, implicando-o em violações de financiamento de campanha.

Senadores Republicanos já desvalorizaram as confissões de Michael Cohen, dizendo que ele é "um mentiroso compulsivo" e ameaçando até fazer revelações sobre alegadas infidelidades matrimoniais, para confirmar o caráter do antigo advogado de Trump.

Esta quarta-feira, Cohen disse que perante o seu depoimento e as provas que apresenta, o povo americano poderá decidir "exatamente quem está a dizer a verdade".

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