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Ex-assessora da Casa Branca desmente interferência ucraniana nas eleições de 2016

Ex-assessora da Casa Branca desmente interferência ucraniana nas eleições de 2016

Uma antiga assessora da Casa Branca denunciou esta quinta-feira como sendo "ficção" a tese apresentada pelo Partido Republicano de que a Ucrânia interferiu nas eleições presidenciais dos EUA de 2016, dizendo que essas alegações têm motivação política.

No depoimento no âmbito do inquérito para a destituição do presidente Donald Trump, Fiona Hill, que foi assessora do ex-conselheiro de segurança John Bolton, pediu aos membros da Câmara de Representantes para não promoverem "ficções e falsidades políticas que promovam os interesses russos".

Fiona Hill referia-se à tese, divulgada por vários dirigentes republicanos, de que a Ucrânia teria interferido nas eleições presidenciais de 2016, em que Donald Trump ganhou à democrata Hillary Clinton, contrariando as conclusões da investigação feita pelo procurador Robert Mueller, cujo relatório imputou ao Governo russo a responsabilidade por essa interferência.

"Não tenho interesse em dirigir a vossa investigação em nenhuma direção que não seja a descoberta da verdade", afirmou Hill perante a comissão de inquérito que investiga a alegada pressão de Donald Trump sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para que este investigasse a atividade da família de Joe Biden (ex-vice-presidente e atual rival político de Trump) junto de uma empresa ucraniana suspeita de corrupção.

Os republicanos alegam que Trump estava interessado em combater a corrupção na Ucrânia, por haver suspeitas de interferência desse país satélite da antiga União Soviética nas eleições de 2016.

"Recuso-me a fazer parte de um esforço para legitimar uma narrativa alternativa de que o Governo ucraniano é adversário dos EUA e que a Ucrânia -- e não a Rússia - nos atacou em 2016", afirmou a ex-analista da Casa Branca.

Fiona Hill disse que o apoio norte-americano à Ucrânia continua a ser fundamental para este país resistir às investidas militares russas, que já conduziram à anexação da Crimeia, para justificar a necessidade de manter a ajuda financeira.

Hill referia-se ao facto de, alegadamente, Trump ter travado a ajuda militar à Ucrânia até que o Presidente daquele pais se comprometesse a investigar a atividade de Hunter Biden, filho do seu adversário Joe Biden, junto de uma empresa ucraniana -- facto que está na base do processo de destituição do Presidente dos EUA.

Perante a comissão de inquérito, Fiona Hill disse estar "preocupada" com a forma como o Governo dos EUA está a conduzir a política diplomática com a Ucrânia e referiu mesmo que John Bolton, de quem era assessora quando este era conselheiro de Trump, partilhava esta preocupação.

Hill disse que Bolton interrompeu uma reunião com ucranianos quando Gordon Sondland, embaixador dos EUA junto da União Europeia, que estava no encontro, começou a fazer perguntas sobre as "investigações", referindo-se ao caso envolvendo Hunter Biden.

David Holmes, conselheiro político da embaixada norte-americana em Kiev, que também depôs hoje perante a comissão de inquérito, afirmou que ouviu um telefonema entre Donald Trump e Gordon Sondland em que o Presidente dos EUA lhe perguntou diretamente se a Ucrânia iria fazer a investigação a Biden.

Holmes disse que ouviu Gordon Sondland - que na quarta-feira, em depoimento na comissão de inquérito, confirmou esta versão -- dizer que o Presidente ucraniano faria "tudo o que lhe for pedido" pelos Estados Unidos.

David Holmes e Fiona Hill também confirmaram que a pressão norte-americana sobre o Governo ucraniano, para investigar a família de Joe Biden, foi orquestrada por Rudolph Giuliani, advogado pessoal de Donald Trump -- um facto que tem sido repetido pelas várias testemunhas que há duas semanas comparecem na comissão de inquérito no Congresso.

Donald Trump, 73 anos, está sob investigação do Congresso num inquérito para a sua destituição ('impeachment'), acusado de abuso de poder no exercício do cargo.

Trump é suspeito de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, a investigar uma empresa ucraniana da qual foi administrador o filho do ex-vice-presidente Joe Biden, dado como favorito a concorrer pelos democratas nas eleições de 2020, em troca de uma ajuda militar dos EUA.

O 45.º presidente norte-americano, em funções desde 20 de janeiro de 2017, qualificou a investigação como uma "caça às bruxas".

As audições públicas do inquérito arrancaram em 13 de novembro.

Se as conclusões do inquérito forem aprovadas por maioria simples na Câmara dos Representantes, o processo segue para o Senado, sendo necessária uma maioria de dois terços para a destituição do presidente.

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