Itália

Ex-autarca condenado a 13 anos de prisão por apoio à imigração ilegal

Ex-autarca condenado a 13 anos de prisão por apoio à imigração ilegal

O ex-presidente da câmara da pequena localidade italiana de Riace (Calábria) foi condenado a 13 anos e dois meses de prisão por ajuda a imigração ilegal, facilitando casamentos por conveniência para atribuição de autorizações de residência.

Domenico "Mimo" Lucano, que negou quaisquer irregularidades, foi também condenado por fraude, peculato, associação criminosa e abuso de poder pelo tribunal da Calábria, região que constitui o "dedo do pé" da península italiana.

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"Vou ficar manchado para o resto da vida por erros que não cometi", afirmou Lucano, citado pela agência de notícias italiana ANSA, que realçou que o acusado pôs frequentemente as mãos na testa, numa aparente descrença, enquanto ouvia o veredicto e a sentença anunciada pelo tribunal após três dias de deliberações.

A acusação alegou que Lucano facilitou "casamentos por conveniência" entre homens italianos de Riace, uma comunidade da região da Calábria, província de Régio Calábria, e mulheres estrangeiras que queriam obter autorizações de residência em Itália.

O Ministério Público acusou também Lucano de utilizar indevidamente os fundos do Governo destinados à assistência aos migrantes, incluindo cinco milhões de euros que a acusação sustenta terem acabado em bolsos privados.

Os advogados da defesa já indicaram que vão recorrer da condenação e da sentença, que foi cerca de cinco anos a mais do que o que a acusação tinha pedido.

Um dos advogados, Giuliano Pisapia, antigo responsável autárquico em Milão (norte de Itália), descartou que o julgamento tenha tido motivações políticas. No entanto, considerou ter existido, "sem dúvida, hostilidade" contra Lucano.

Lucano continuará em liberdade a aguardar o resultado dos recursos.

Grupos humanitários que apoiam operações de resgate de migrantes no Mediterrâneo expressaram indignação pelo veredicto e pela sentença do tribunal.

"O ex-presidente da câmara de Riace deu vida e futuro à sua cidade com boas-vindas e solidariedade. Estamos ao lado de 'Mimmo' Lucano e de quem pratica a solidariedade todos os dias", escreveu, na rede social Twitter, a organização Sea Watch Italia.

Muitos migrantes em Riace, uma cidade com cerca de 1700 habitantes, conseguiram empregos municipais, como limpeza de ruas, enquanto Lucano foi presidente da câmara local.

Outro grupo humanitário, Mediterranea Saving Humans, considerou o veredicto "vergonhoso" e, num comunicado, descreveu o resultado do julgamento como "o mais grave ataque repressivo à cultura e à prática da solidariedade" em Itália.

"Quem é pobre ou migrante é obrigado a sofrer todas as violências e quem o ajuda é considerado um criminoso", acrescentou a organização.

Riace é conhecida pela descoberta, em 1972, de duas estátuas gregas antigas no fundo do mar próximo da costa, que ficaram conhecidas como "Bronzes de Riace".

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