EUA

Ex-conselheiro de Trump disposto a depor no Senado sobre destituição do presidente

Ex-conselheiro de Trump disposto a depor no Senado sobre destituição do presidente

John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta segunda-feira que está "preparado para testemunhar" no inquérito de destituição, se for intimado pelo Senado.

John Bolton, que se demitiu do cargo de conselheiro de segurança nacional por divergências com Donald Trump, em setembro passado, disse que ponderou as questões de privilégio executivo (invocadas por Trump para tentar evitar que os seus assessores testemunhem no processo de 'impeachment') e, "após cuidadosa consideração e análise" decidiu estar disponível para depor.

"Concluí que, se o Senado emitir uma intimação para testemunhar, eu estarei preparado", explicou Bolton, num comunicado hoje divulgado.

A sua presença no julgamento político de Donald Trump foi por várias vezes solicitada pelos Democratas, mas o líder Republicano no Senado, Mitch McConnell, expressou publicamente resistência em chamar novas testemunhas para o processo de destituição do Presidente.

Os Democratas consideram que John Bolton é uma testemunha relevante, por estar no exercício do cargo de conselheiro na altura (julho passado) em que Donald Trump pressionou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a investigar Joe Biden, um seu rival político, cujo filho, Hunter, colaborou com uma empresa da Ucrânia suspeita de corrupção.

No processo de destituição, Donald Trump é acusado de abuso de poder e de obstrução ao Congresso, no chamado caso ucraniano, em que tentou chantagear Zelenskiy para a investigação sobre a família Biden, em troca da libertação de um pacote financeiro de quase 400 milhões de dólares (cerca de 300 milhões de euros).

John Bolton foi também uma das vozes discordantes com a estratégia de política externa do Presidente em várias frentes diplomáticas, incluindo as relações com o Irão, onde defendeu uma posição mais dura dos Estados Unidos perante o desrespeito dos termos do acordo nuclear, o que o levou, nos últimos dias, a aplaudir o ataque aéreo que vitimou um alto comandante iraniano em Bagdad.

Os Republicanos consideram que o inquérito para destituição que decorreu em dois comités na Câmara de Representantes, e que produziu dois artigos para destituição do presidente, produziu matéria suficiente para o julgamento político que decorrerá agora no Senado.

Após a aprovação dos dois artigos para destituição, na Câmara de Representantes, em dezembro passado, para que Donald Trump seja removido do cargo seria preciso que 2/3 dos senadores condenassem agora politicamente o Presidente - um cenário pouco provável, tendo em conta a maioria Republicana no Senado e a unidade dentro do partido no apoio ao repúdio pelo processo de 'impeachment'.

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