Polémica

Guerra contra o assédio sexual na política francesa

Guerra contra o assédio sexual na política francesa

A polémica que levou à demissão de um dos vice-presidentes do Parlamento francês está a crescer. São agora 17 as ex-ministras que exigem uma ação urgente contra os crimes de assédio.

Tentar beijar as mulheres nos corredores dos espaços públicos, encher a caixa de mensagens do telemóvel com dezenas de frases inapropriadas, fazer comentários sobre o aspeto físico de figuras públicas em reuniões da mais elevada importância política. São estes apenas alguns dos exemplos da avalanche de relatos ligados ao assédio sexual nas mais distintas instâncias políticas de França.

A polémica que envolve figuras relevantes da política francesa só ainda agora começou. Os relatos não param de aumentar, e às quatro mulheres que primeiro relataram este tipo de situações juntam-se agora 17 antigas ministras de França que decidiram unir esforços para lutar contra o crime de assédio e criaram um manifesto.

Uma das antigas ministras de Nicolas Sarkozy relatou que nas bancadas parlamentares ou no meio de reuniões é frequente a pergunta às mulheres: "Está a usar cuecas de fio dental?"

Além de verbal, os relatos de assédio sexual, que foram relatados pela primeira vez ao "Journal du Dimanche", incluem também agressões físicas. Alguns dos ministros de François Hollande são acusados por estas mulheres de lhes tocarem nos ombros e fazerem massagens, sem que para isso tenham sido autorizados. Rama Yade, candidata presidencial, relatou "Isto não é só verbal, há pessoas que colocam as mãos na cintura das mulheres, e que as abanam".

Estes comportamentos sexistas que estão a causar polémica em França levam agora 17 ex-ministras a pedir medidas mais duras em termos judiciais para estes "agressores", como lhe chamam.

Entre as signatárias deste apelo coletivo contra o silêncio que envolve o assédio está Christine Lagarde, diretora do FMI e ex-ministra das Finanças em França e a ex-ministra Monique Pelletier, que alega ter sido agredida por um senador há mais de três décadas.

Este movimento contra o assédio pretende promover a denúncia destas situações, aumentar o prazo de prescrição destes crimes, o reforço dos meios das entidades que lutam contra o assédio sexual e a formação dos agentes da autoridade perante estes relatos, entre outras medidas.

Depois do relato inicial das quatro mulheres sobre as agressões sexuais constantes cometidas por um dos vice-presidentes do Parlamento, Denis Baupin, foi aberta uma investigação.