França

Ex-namorada do homicida de Maëlys alertou polícia para intenção de matar

Ex-namorada do homicida de Maëlys alertou polícia para intenção de matar

A ex-namorada de Nordahl Lelandais, o homicida confesso de Maëlys de Araújo, denunciou o homem às autoridades um mês antes do assassinato da menina lusodescendente, desaparecida de uma festa de casamento em Pont-de-Beauvoisin, França, a 27 de agosto.

Em julho de 2017, um mês antes do desaparecimento de Maëlys, uma ex-namorada de Lelandais fez queixa à polícia de Pont-de-Beauvoisin, alertando para a personalidade "inquietante" do antigo parceiro e para a possibilidade de o homem cometer um crime. Lelandais acabaria por ser o autor confesso dos homicídios pelos quais estava a ser investigado: o de Maëlys de Araújo e o do militar francês Arthur Noyer, desaparecido em abril da zona de Chambéry.

A informação foi avançada, esta quarta-feira, pelo jornal "Le Parisien" e pela rádio "RTL", que levantam uma questão inevitável: se a denúncia tivesse sido tratada com mais seriedade, teria a morte de Maëlys sido evitada?

Karine e Nordahl conheceram-se em 2015, através de um site de encontros, onde o homem, agora detido, se apresentava como um "guerreiro" fascinado por cães. Apaixonaram-se e começaram uma relação, que terminou em dezembro do ano seguinte, quando Karine se apercebeu de que era traída com outras mulheres, escreve o "Le Parisien".

De acordo com o advogado de Karine, Ronald Gallo, Nordahl não lidou bem com a separação e foi-se manifestando cada vez mais violento e perturbador. Vieram as agressões, o assédio e as constantes ameaças e perseguições, que culminaram numa colisão rodoviária provocada intencionalmente por Nordahl, acusa Gallo. Foi esse acidente, ocorrido em julho, que motivou Karine a dirigir-se à Gendarmerie de Pont-de-Beauvoisin.

A Câmara de Comércio de Chambéry qualificou os factos relatados como possibilidade de "pôr em perigo a vida de outras pessoas com risco imediato de morte". "Mas a queixa não teve consequências e, um mês depois, Maëlys foi sequestrada e morta por Nordahl Lelandais", atira Gallo, citado pela imprensa francesa.

"A minha cliente sente-se, de alguma forma, responsável e culpada pela morte de Maëlys. Crê que, se a queixa tivesse sido levada a sério, Lelandais teria sido ouvido, notificado e vigiado pela polícia e pela justiça. E talvez o drama sofrido por Maëlys nunca tivesse acontecido", continua.

A Câmara de Comércio de Chambéry não quis comentar a nova informação.

Nordahl Lelandais encontra-se detido num hospital psiquiátrico em Bron, para onde foi transportado dois dias depois de ter confessado matar Maëlys "acidentalmente".