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Ex-presidente Hollande alerta para risco de "desaparecimento" do PS em França

Ex-presidente Hollande alerta para risco de "desaparecimento" do PS em França

O ex-presidente francês François Hollande alertou, esta quinta-feira, para o risco de "um desaparecimento" do Partido Socialista (PS) em França, caso chegue a um acordo com a esquerda radical que o levaria a desaparecer nas eleições legislativas de junho.

"Não é uma discussão que está em jogo, é um desaparecimento. Discutir é necessário, desaparecer é impossível", disse Hollande à rádio pública franceinfo, no dia seguinte às primeiras negociações entre o PS e a França Insubmissa (LFI, esquerda radical).

O LFI está também em discussões com o Europa Ecologista - Os Verdes (EELV) e o Partido Comunista com vista às eleições de 12 e 19 de junho.

Seria "um desafio à própria história do socialismo, do (ex-presidente) François Miterrand e aos seus compromissos europeus, o (ex-primeiro-ministro) Lionel Jospin e à sua credibilidade económica e avanços sociais", acrescentou Hollande.

O antigo presidente socialista manifestou o desejo de ver este possível acordo "revisto ou adiado para que o Partido Socialista possa, com os seus parceiros ecologistas e comunistas, começar a encarar uma outra união".

"Penso que este acordo não será aceite precisamente porque é inaceitável", com, "pela primeira vez na história da esquerda, o desaparecimento de qualquer candidato socialista em dois terços ou em três quartos dos departamentos", salientou.

Para Hollande, "no atual estado das negociações", o "próximo governo" - se fosse conduzido pela LFI - "seria levado a questionar os tratados europeus, a desobedecer-lhes, a abandonar a NATO, a deixar de ajudar os ucranianos fornecendo-lhes equipamento militar", e baixaria a idade da reforma para os 60 anos quando "todos sabem que é financeiramente impossível", denunciou.

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Hollande, que liderou o partido entre 1997 e 2008, reconheceu que tem "necessariamente uma quota-parte de responsabilidade" no atual estado do PS, mas lamentou que "nos últimos cinco anos" o partido não tenha empreendido "trabalho programático".

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