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Ucrânia

Ex-presidente Poroshenko fica em liberdade apesar da acusação de "alta traição"

Ex-presidente Poroshenko fica em liberdade apesar da acusação de "alta traição"

A justiça ucraniana decidiu manter em liberdade o ex-presidente e opositor Petro Poroshenko, acusado de alta traição, mas fica impedido de sair do país.

A decisão foi anunciada pelo juiz Oleksii Sokolov, esta quarta-feira. Ao reagir à deliberação, Poroshenko e os seus próximos entoaram o hino nacional na sala de audiências, indicou a agência de notícias AFP.

O procurador tinha exigido a sua detenção, ou uma caução de cerca de 30 milhões de euros.

No entanto, o juiz ordenou ao principal opositor do presidente Volodymyr Zelensky que entregasse os seus passaportes, ficando impedido de sair da Ucrânia.

"Caros amigos, felicito-vos", declarou aos meios de comunicação social o ex-chefe de Estado, rodeado pela sua mulher e diversos deputados do seu partido.

"Viemos aqui para mostrar que não temos medo, que a verdade está connosco", prosseguiu Poroshenko, acusando o presidente Zelensky de ter urdido as acusações contra si para se desembaraçar de um rival político.

Diversas centenas de apoiantes celebraram a decisão da justiça frente ao tribunal.

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Principal opositor do país, Poroshenko, um milionário de 56 anos e considerado pela revista Forbes um dos homens mais ricos da Ucrânia, regressou ao país na segunda-feira após um mês no estrangeiro, apesar da ameaça de detenção.

Os investigadores suspeitam que Poroshenko colaborou com o milionário pró-russo Viktor Medvedchuk, um próximo do presidente Vladimir Putin, para facilitar a compra em 2014 e 2015 de carvão às empresas situadas no leste do país e sob controlo dos separatistas pró-russos, em guerra contra Kiev.

Segundo o procurador, o ex-presidente utilizou na prática fundos do Estado para financiar os separatistas, um ato de "alta traição" e passível de uma pena até 15 anos de prisão.

Poroshenko, que durante a sua presidência manteve relações muito tensas com a Rússia, dirigiu o país no auge do conflito, desencadeado na primavera de 2014 e com um balanço de cerca de 14 mil mortos e centenas de milhares de deslocados.

No decurso da sua passagem pelo poder, Poroshenko aproximou o seu país dos ocidentais, mas foi incapaz de solucionar a corrupção e a pobreza.

Zelensky, um antigo comediante, venceu o seu principal rival por larga margem nas presidenciais de 2019, mas sem conseguir solucionar os principais problemas sociais do país.

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