Alemanha

Ex-secretária de campo nazi começa a ser julgada depois de ter fugido

Ex-secretária de campo nazi começa a ser julgada depois de ter fugido

Uma idosa que trabalhou como secretária num campo de concentração nazi de Stutthof, na Polónia, vai começar a ser julgada na Alemanha, esta terça-feira, depois de o seu processo ter sido adiado por fuga da acusada.

A mulher, Irmgard Furchner, atualmente com 96 anos, é acusada de cumplicidade no assassinato de 11380 prisioneiros do campo de concentração, onde foi estenógrafa e datilógrafa para o comandante, entre 1943 e 1945.

Irmgard Furchner foi detida em 30 de setembro, poucas horas depois de não comparecer ao tribunal provincial de Itzehoe, onde deveria começar o julgamento.

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A mulher já tinha anunciado, no início de setembro, numa carta dirigida ao tribunal, que a sua intenção era não comparecer ao julgamento devido à sua idade avançada e a "limitações físicas", tendo pedido para ser representada pelo advogado.

No entanto, na manhã de 30 de setembro, foi considerada "em fuga" e o tribunal emitiu um mandado de prisão. Segundo noticiou nesse dia a agência de notícias AFP, citando meios de comunicação alemães, a mulher saiu do lar de idosos onde vivia e apanhou um táxi rumo a uma estação de metropolitano nos arredores de Hamburgo.

Após a detenção, algumas horas depois, em Hamburgo, a idosa passou quatro dias em prisão preventiva e foi libertada após a defesa ter interposto recurso.

Irmgard Furchner, que tinha entre 18 e 19 anos na época referente às acusações, trabalhou como datilógrafa e secretária de Paul Werner Hoppe - também comandante da temida organização paramilitar nazi SS entre junho de 1943 e abril de 1945.

Apesar da idade avançada, a alemã será julgada num tribunal de menores por ter menos de 21 anos na época dos crimes.

Segundo a procuradoria alemã, 65 mil pessoas morreram no campo de concentração de Stutthof, perto da cidade de Gdansk, num processo que implicou assassinatos de "judeus, membros da resistência polaca, prisioneiros de guerra soviéticos", entre outros.

O caso contra Furchner baseia-se no precedente legal alemão estabelecido em casos julgados ao longo da última década de que qualquer pessoa que tenha ajudado a manter os campos de extermínio e de concentração nazi a funcionar pode ser processada como cúmplice dos assassínios cometidos ali, mesmo sem evidências de participação num crime específico.

Os procuradores argumentam que a idosa fazia parte do aparelho que ajudou o campo de concentração nazi a funcionar durante a Segunda Guerra Mundial, há mais de 75 anos.

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