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Execução de diplomata argelino pelos islamitas do Mali "enerva" Argel

Execução de diplomata argelino pelos islamitas do Mali "enerva" Argel

A execução pelos islamitas malianos do MUJAO de um dos diplomatas argelinos, que mantinham como refém no Norte do Mali, está a inquietar os dirigentes de Argel, que se mantêm em silêncio, noticia a AFP

"A evolução dramática da questão dos reféns está a colocar Argel em situação difícil" e o destino dos outros três reféns "permanece incerto", considerava o diário El-Watan.

O MUJAO, um dos grupos aliados da Al-Qaida do Magrebe islâmico (AQMI), que ocupa e controla o Norte do Mali desde há cinco meses, indicou no domingo que o vice-cônsul Tahar Touati, detido desde 05 de abril, tinha sido executado no sábado de manhã, no fim de um ultimato para a libertação de 'jihadistas' na Argélia.

O grupo islamita já ameaçou matar os outros três reféns argelinos se os dirigentes de Argel não satisfizerem as suas exigências.

Um dirigente islamita, Walid Abu Sarhaoui, afirmou à agência noticiosa, no domingo, na capital do Mali, Bamaco, que "a vida dos outros reféns ficará rapidamente em perigo se a Argélia não nos ouvir", adiantando que o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, recusa um acordo.

Um comunicado oficial argelino garantia no domingo que o anúncio desta execução estava a ser objeto das "verificações necessárias", acrescentando que "os contactos [com os raptores] não tinham sido interrompidos".

O ministro argelino dos Negócios Estrangeiros, Mourad Medelci, ateve-se hoje a esta declaração, indicando que "as autoridades não têm informação suplementar".

Foi divulgado entretanto que dois notáveis árabes de Gao, no Nordeste do Mali, onde está o quartel-general do MUJAO, Hanoun Ould Ely e Mohamed Ould Ahmed Deya, teriam chegado na segunda-feira a Argel para conversações sobre os reféns.

A informação foi divulgada por Mohamed Ould Binty, membro da coordenação dos árabes do Mali, e confirmada por uma fonte próxima da embaixada do Mali em Argel. O porta-voz do Ministério argelino recusou comentar a informação.

Enquanto a imprensa argelina especula com uma intervenção militar da Argélia no Mali, o MUJAO exige a libertação designadamente de Necib Tayeb, que dirige a comissão jurídica da AQMI, detido em 15 de agosto no sul argelino.