Pena de morte

Executado o primeiro preso dos últimos dias de Trump. Estão previstas mais quatro mortes

Executado o primeiro preso dos últimos dias de Trump. Estão previstas mais quatro mortes

O preso Brandon Bernard foi executado esta quinta-feira nos EUA, após ver rejeitado pelo Supremo Tribunal o pedido de clemência de última hora. Há mais quatro execuções federais planeadas até ao final da presidência de Donald Trump, que a acontecerem fazem deste o presidente dos EUA que mais execuções permitiu em 124 anos.

Prestes a entregar a Casa Branca a Joe Biden, Donald Trump autorizou para as últimas semanas do mandato a maior série de execuções nos EUA, desde há mais de um século. Brandon Bernard foi o primeiro de cinco condenados à morte a ser executado nesta leva, esta quinta-feira à noite, mas já oito tinham sido mortos desde julho, quando a administração de Trump pôs fim ao hiato de 17 anos nas execuções federais.

Brandon Bernard, de 40 anos, é o mais jovem criminoso a ser executado pelo governo federal em quase 70 anos. O afro-americano foi condenado pelo homicídio em co-autoria de um casal no Texas, em 1999, quando ainda tinha 18 anos, num caso de roubo que envolveu mais quatro adolescentes.

Segundo a acusação, terá comprado combustível e incendiado o carro onde estavam as duas vítimas, que tinham sido colocadas na mala e baleadas na cabeça por outro elemento do grupo, Christopher Vialva (com 19 anos na altura do crime), considerado o líder do grupo e também executado há três meses, no estado do Indiana.

A defesa de Brandon alegou que o casal provavelmente morreu antes de a viatura ser incendiada, mas a teoria não ficou provada. Os outros três envolvidos no crime foram condenados com penas de prisão por serem menores de 18 anos na altura.

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Antes de morrer por injeção letal, esta quinta-feira, numa cadeia na cidade de Terre Haute, no Indiana, Brandon Bernard mostrou arrependimento pelo homicídio à família do casal que matou. "Lamento muito. São as únicas palavras que consigo dizer que transmitem completamente o que sinto agora e como me senti naquele dia", disse Brandon.

A sua execução foi adiada por mais de duas horas, na sequência do pedido de suspensão levado pelos advogados de Bernard ao Supremo Tribunal.

Pena capital não era aplicada há 17 anos

No passado mês de julho, deu-se a primeira execução federal desde 2003. Antes deste ano, apenas três pessoas haviam sido executadas pelo Governo em 50 anos. Além disso, há 130 anos que a aplicação de penas capitais não acontecia durante uma transição presidencial, tradição agora quebrada no mandato de Trump.

Ao serem mortos os outros quatro presos no corredor da morte até 20 de janeiro, quando Joe Biden toma posse, o número total de execuções federais no mandato de Trump sobe para 13 e decorrem num recorde de apenas sete meses.

Donald Trump sempre foi um defensor da pena de morte e a sua administração ficará marcada pelos meses mais letais quanto a execuções federais, sob a direção do procurador-geral William Barr.

A execução de Brandon Bernard diz respeito a um caso raro de uma pessoa condenada à morte ainda em adolescente e voltou a trazer a pena de morte para o centro das atenções, no país. Várias figuras reconhecidas nos EUA, incluindo Kim Kardashian West (a estudar Direito), tentaram apelar a Donald Trump para substituir a pena de Bernard por prisão perpétua.

Também o procurador federal que tinha defendido a sentença de morte de Bernard apelou agora a que este cumprisse pena na prisão, observando o seu amadurecimento, remorso e humildade, assim como cinco dos nove elementos do júri.

Joe Biden, que se opõe à pena de morte, vai trabalhar para terminar com este tipo de sentenças assim que assumir a presidência, assegurou já um porta-voz seu.

O próximo preso, Alfred Bourgeois, será executado já esta sexta-feira, na mesma prisão em Terre Haute.

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