Inglaterra

"Taxista herói" trancou terrorista dentro do carro em Liverpool

"Taxista herói" trancou terrorista dentro do carro em Liverpool

A polícia classificou, esta segunda-feira, como um "incidente terrorista" com bomba caseira a explosão de um táxi em frente a um hospital, em Liverpool, Inglaterra, no domingo, apesar de ainda não se saber a motivação do ataque. O homem que conduzia o táxi está a ser louvado como herói, porque se terá apercebido das intenções do passageiro e trancado as portas do carro, para evitar danos maiores. Ficou ferido, mas conseguiu fugir pelo próprio pé do veículo. O terrorista morreu.

A polícia antiterrorista britânica interrogou três homens, esta segunda-feira, depois de o taxista "heróico" ter alegadamente desvendado a conspiração para atacar uma catedral onde se assinalava o Dia da Memória (celebração do armistício que pôs fim à primeira Guerra Mundial), em Liverpool. Uma explosão engoliu o táxi no exterior do Liverpool Women's Hospital, perto da catedral, segundos antes de a Grã-Bretanha assinalar dois minutos de silêncio, às 11 horas, para honrar os seus mortos de guerra.

O passageiro morreu, mas o motorista escapou com ferimentos ligeiros, depois de as autoridades da cidade e os jornais descreverem como tinha trancado o suspeito no interior, por ter desconfiado das suas intenções.

O bombista era do Médio Oriente, mas os serviços secretos britânicos não o tinham referenciado, segunda adianta o jornal britânico "Telegraph".

A polícia britânica confirmou ter classificado como um incidente terrorista a explosão no domingo de um táxi causada por um engenho explosivo improvisado e que matou uma pessoa. O motivo do ataque não é claro, mas o facto de o suspeito ser do Oriente Médio aumentará a probabilidade de que seja de inspiração islâmica. Também não está claro se o terrorista viajou recentemente para o Reino Unido ou se nasceu no país.

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Catedral cheia

O passageiro queria ir ao serviço anual do Dia da Memória na catedral anglicana do noroeste da cidade, segundo os meios de comunicação britânicos citando investigadores e amigos do taxista. Lá encontravam-se cerca de duas mil pessoas, a assistir a um serviço religioso. Mas o encerramento das estradas obrigou o táxi a desviar-se e acabaram no hospital vizinho, onde a bomba explodiu.

"Parece que o taxista em questão se comportou com incrível presença de espírito e bravura", disse o primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, aos repórteres em Londres na segunda-feira, sem querer adiantar muitos pormenores sobre o caso.

A presidente da Câmara de Liverpool, Joanne Anderson, afirmou: "O taxista, nos seus esforços heroicos, conseguiu desviar o que poderia ter sido um desastre absolutamente horrível no hospital. Sabíamos que o taxista tinha trancado as portas, sabíamos isso desde cedo", disse Joanne Anderson à rádio BBC, ao mesmo tempo que advertia contra novas especulações sobre o caso.

O político conservador Oliver Dowden disse que as ações do condutor contrastavam com "a cobardia dos ataques terroristas. Claramente teremos de ver exatamente o que aconteceu lá", disse o copresidente do partido no poder à Sky News, esta segunda-feira, sublinhando que as notícias sobre a resposta do condutor tinham de ser confirmadas. "Mas se for esse o caso, esse é outro exemplo de verdadeira bravura e coragem", disse Dowden.

Após o incidente, a polícia armada do comando antiterrorista do noroeste de Inglaterra prendeu três homens - com 29, 26 e 21 anos - numa casa no distrito de Kensington, em Liverpool. Secções da rua continuam isoladas com uma forte presença policial no local no início da segunda-feira.

De acordo com o jornal "The Guardian" e a BBC, o serviço de informação doméstica MI5 também está a ajudar na investigação.

Reino Unido aumenta nível de alerta sobre terrorismo

Na sequência do ataque bombista, as autoridades britânicas decidiram elevar o nível de alerta para terrorismo, indicando que outros ataques são altamente prováveis.

O grau de risco passou, assim, de "substancial" para "grave", o segundo numa escala de cinco, decidiu o Centro de Análise de Terrorismo Conjunto, organismo formado por elementos da polícia, serviços de informação e governo.

A decisão teve em conta outros dois incidentes terroristas no mês passado, "refletindo a natureza diversa, complexa e volátil da ameaça terrorista no Reino Unido", indica um comunicado.

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