O Jogo ao Vivo

Polémica

Extrema-direita brasileira tenta travar aborto de menina de dez anos, violada pelo tio

Extrema-direita brasileira tenta travar aborto de menina de dez anos, violada pelo tio

A violação de uma menina de dez anos, que ficou grávida do tio, tornou-se um caso de política no Brasil. Entre os que defendem que a criança devia abortar e aqueles que consideram um crime a interrupção da gravidez, a história parece estar a mover várias emoções e opiniões na sociedade brasileira.

A história chegou à imprensa através da militante de extrema-direita brasileira Sara Winter, que divulgou o nome da menina de dez anos grávida, violada pelo tio desde os seis anos. Depois foi a vez de informar sobre o hospital: a morada onde a criança, natural do município de Vitória, no estado brasileiro de Espírito Santo, irá interromper a gravidez. A vontade da criança e da avó, com quem vive, é a de não ter o filho. O pai está preso, a mãe abandonou-a e o tio, que a violou, está em fuga.

A menina obteve autorização este domingo para fazer o aborto pela Justiça, porém precisou de sair do estado, porque o hospital em Vitória, onde mora, negou o procedimento legal com urgência. Quando deu entrada pela primeira vez no hospital, a criança estava na 21.ª semana de gravidez. O jornal "Folha de São Paulo" diz que a menina desenvolveu diabetes gestacionais e corre perigo de vida, um risco que se pode agravar caso a gravidez continue, tendo em conta a possibilidade de desenvolver pressão arterial elevada e fissuras no útero.

A lei brasileira permite a realização do aborto até às 22 semanas de gestação ou até o feto pesar 500 gramas. Nos casos em que a gravidez resulte de violação ou em situações de risco para a mãe ou malformação do feto, a lei também permite a interrupção da gravidez. O juiz invocou estes dois pressupostos para permitir o aborto, invocando o "sofrimento" profundo da menina.

De acordo com a legislação, o caso deveria decorrer sob sigilo para proteção da privacidade da criança. No entanto, Sara Fernanda Giromini, também conhecida como Sara Winter, militante de extrema-direita e apoiante de Jair Bolsonaro, divulgou o nome e a morada do hospital onde a criança está internada, e publicou um vídeo com o médico responsável pelo aborto, apelidando-o de "aborteiro".

A chegada da menina acompanhada da avó e uma assistente social causou protestos pró e contra o aborto em frente ao hospital do Recife. Grupos cristãos fizeram rodas de oração e médicos do hospital foram chamados de "assassinos". A Polícia Militar teve de intervir para conter os manifestantes, enquanto um grupo de mulheres fez uma contramanifestação de apoio à criança.

Sara Winter, que integrou o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, da ministra Damares Alves, foi detida em junho deste ano pela participação em atos antidemocráticos que pediam o encerramento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. Foi entretanto libertada com pulseira eletrónica. Tem sido um dos rostos da militância de extrema-direita no Brasil.

Nas redes sociais, sucedem-se as críticas a Sara Winter. "Lugar de quem expõe menor de idade a repetidas situações de violência é no departamento da Criança e Adolescente, não divagando na Internet", escreveu Manuela D'Ávila, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e candidata à vice-presidência nas eleições de 2018, encabeçadas por Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro.

Outras Notícias