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Extremos limam arestas no Chile à procura dos votos ao centro

Extremos limam arestas no Chile à procura dos votos ao centro

A segunda volta das eleições presidenciais no Chile entra hoje na última semana de campanha. Candidatos radicais, à direita e à esquerda, procuram conquistar indecisos.

Os dois candidatos dos extremos políticos que disputam a segunda volta das presidenciais chilenas, Jose Antonio Kast, à direita, e Gabriel Boric, à esquerda, ajustam a mira. Moderaram os programas eleitorais e camuflaram o radicalismo das palavras, porque no próximo domingo serão os eleitores do centro a decidir qual o próximo presidente do Chile.

Kast, candidato da extrema-direita, apresentou na semana passada um novo programa eleitoral. "Dissemos que não estava escrito em pedra", explicou o candidato do Partido Republicano. O advogado de 55 anos, vencedor da primeira volta com 27,9% dos votos, reformulou a versão original do programa, suavizando algumas das propostas mais criticadas. Foram seguidas as sugestões de partidos e líderes do centro-direita e da direita liberal, que apoiaram Kast depois da primeira volta.

Quanto à imigração ilegal, o candidato mantém as propostas de criar um fosso na fronteira com a Bolívia, através da qual os migrantes, a maioria venezuelanos, atravessam a pé desde o fim de 2020, e de criar um "acampamento militar temporário na zona de Colchane", epicentro da crise migratória no Chile.

Reconhecendo uma dinâmica doméstica diferente, o colunista do jornal norte-americano "The Washington Post" Anthony Faiola reconhece que "as guerras culturais que impulsionaram Kast à corrida à presidência do Chile são semelhantes aos temas que levaram Trump à Casa Branca". Segundo o analista, o candidato da extrema-direita apoiou fortemente a polícia contra as acusações da esquerda pelo uso de força excessiva e demonizou oa milhares de migrantes que procuraram uma vida melhor no Chile.

"As propostas de Kast para fechar as fronteiras do Chile aos "imigrantes ilegais" e construir uma trincheira para mantê-los fora foram recebidas com entusiasmo pelos eleitores nacionalistas que culpam esses refugiados económicos pelo aumento da pobreza e da delinquência", escreveu o escritor chileno-americano Ariel Dorfman, no diário "Los Angeles Times".

Os resultados da primeira volta das eleições, disputada 21 de novembro, também obrigaram Gabriel Boric, ex-ativista estudantil de 35 anos, a procurar apoios noutros setores mais progressistas. "Queremos fazer as mudanças com tranquilidade e gradualmente", disse o candidato de esquerda, que na primeira ronda arrecadou 25,8% dos votos.

Uma má conselheira
Criticado pelo radicalismo das mudanças que propõe no programa, Boric mostra-se mais moderado agora. Arregimentou importantes economistas de centro-esquerda e procurou apoio nos setores que compuseram a extinta Concertação, que governou o Chile entre 1990 e 2010.

Num dos tantos paradoxos da política chilena, foram dirigentes e partidos moderados da Concertação que acolheram Boric nesta etapa, apesar da ambição da Frente Ampla de esquerda de substituir em definitivo aquela geração. "Hoje sei que a arrogância geracional é má conselheira, que não há virtude por si só na juventude", escreveu Boric, numa humilde carta aos democratas-cristãos, que apoiam agora o candidato da Esquerda na segunda volta.

Figuras populares como, como Izkia Siches, muito acarinhada pela população devido à ação durante a pandemia enquanto presidente do conselho nacional de medicina, também manifestaram apoio a Boric.

Kast contra-atacou com a apresentação de um dos rostos mais populares do atual Governo, Paula Daza, subsecretária de Saúde durante a crise sanitária.

Boric à frente

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