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Falsa página sobre Parlamento Europeu divulga desinformação russa

Falsa página sobre Parlamento Europeu divulga desinformação russa

Metade dos conteúdos divulgados nos últimos 12 meses no "site" EPToday, que se apresenta como "revista de informação mensal para o Parlamento Europeu" (PE), são "cópias literais" de artigos da Russia Today, segundo um estudo divulgado hoje.

"Como fazer com que o Parlamento Europeu leia o Russia Today", é o título do estudo publicado pelo grupo de trabalho do serviço de ação externa da União Europeia (UE) para a desinformação pró-russa (East StratCom Task Force) EUvsDisinfo.

O grupo analisou todos os 17697 artigos publicados pelo site desde 24 de outubro de 2018 e concluiu que 99% "não são escritos pelo EPToday" e 47% deles são "cópias literais de artigos do RT.com", o 'site' do Russia Today, um dos principais canais da desinformação russa, financiado pelo Kremlin.

Com 145.000 seguidores no Facebook e 6.000 no Twitter, o EPToday apresenta-se como uma "revista de informação mensal para o Parlamento Europeu", "concebida exclusivamente para os eurodeputados escreverem sobre questões que consideram importantes e merecedoras da atenção dos colegas e decisores políticos".

Em dois anos, entre 6 de abril de 2017 e 23 de agosto de 2019, o grupo de trabalho apenas encontrou 25 artigos de eurodeputados, que correspondem a 0,14% do total de artigos publicados.

Por outro lado, o EPToday, que é uma abreviatura de "European Parliament Today", tem como logotipo um círculo de 12 estrelas sobre fundo azul, em tudo semelhante aos símbolos das instituições europeias.

Segundo o grupo de trabalho, a página "usa o nome do Parlamento Europeu de uma forma enganadora e sem qualquer autorização legal", o que levou nomeadamente os serviços da assembleia europeia a notificar a EPToday da irregularidade.

A página refere que o núcleo editorial da EPToday "opera fora de Bruxelas" e, segundo o grupo de trabalho europeu, a morada indicada corresponde a um apartado e nenhum dos responsáveis editoriais é contactável via Linkedin ou Twitter.

O telefone disponibilizado na página é atendido com uma gravação automática que informa que "não há ninguém disponível para receber a chamada".

A RT foi multada em julho passado pela entidade reguladora dos 'media' britânicos, Ofcom, em 200.000 libras (cerca de 225.000 euros) por quebra da imparcialidade em sete ocasiões, nas semanas que se seguiram ao envenenamento em Inglaterra do ex-espião russo Serguei Skripal, em 2018.