Londres

Falsa vítima de incêndio na torre Grenfell condenado a prisão

Falsa vítima de incêndio na torre Grenfell condenado a prisão

Um tribunal condenou esta quinta-feira a cinco anos e meio de prisão um homem que alegou ser uma das vítimas do incêndio de junho de 2017 na torre Grenfell, em Londres.

O homem, de 51 anos, que recebeu cerca de 96000 libras (112000 euros) por se ter passado por vítima do incêndio, foi condenado a duas penas prisão, uma de cinco anos e meio de prisão, outra de quatro anos, mas a justiça ordenou um cúmulo jurídico destas duas penas, indicou a polícia de Londres em comunicado.

Segundo as autoridades, 16 pessoas já tinham sido condenadas por fraudes semelhantes pela justiça britânica, que proferiu sentenças cumulativas de 64 anos e dez meses de prisão, por mais de 780000 libras (915.000 euros) de prejuízos de indemnizações.

O homem condenado esta quinta-feira, um sem-abrigo, explicou que dormiu na torre dois anos antes do incêndio que matou 72 pessoas, incluindo um bebé, filho de portugueses.

O acusado disse ainda que dormiu no quinto andar na noite da tragédia, ajudou moradores a fugir do incêndio e teve que passar por cima dos corpos das vítimas.

O seu relato permitiu-lhe beneficiar de uma habitação permanente em março de 2018, depois de passar oito meses num hotel e de uma ajuda financeira.

Suspeito não apareceu em nenhuma imagem de videovigilância

No entanto, uma investigação determinou que o homem estava a morar no norte de Londres e não na torre de Grenfell e que não apareceu em nenhuma das imagens de videovigilância na noite do incêndio nem nas duas semanas anteriores.

A responsável da investigação, Lisa Cook, referiu em comunicado, que a atitude do acusado é "desprezível".

"Ele não demonstrou qualquer consideração pelo sofrimento daqueles que perderam a vida e os seus familiares", salientou Lisa Cook, acrescentando, no comunicado, que o arguido "terá o tempo necessário na prisão para pensar no que fez".

Em setembro de 2018, um português que recebeu apoios de 60 mil euros, enquanto fingia ser vítima do incêndio foi condenado a três anos e dois meses de prisão.

António Gouveia, de 33 anos, confessou e foi considerado culpado de ter recebido dinheiro, um computador portátil e alojamento destinados a um antigo morador daquele edifício.

O incêndio na torre Grenfell começou na noite de 14 de junho de 2017 e alastrou rapidamente aos andares superiores da torre de 25 pisos, alegadamente devido ao revestimento inflamável.

Um relatório oficial de mil páginas publicado em outubro, criticou fortemente a ação dos bombeiros, considerando que o incêndio teria provocado menos vítimas se os bombeiros tivessem ordenado, desde o início, a evacuação da torre, em vez de optar inicialmente por uma estratégia de contenção.