Japão

Família de golfinhos procura conforto antes de ser chacinada

Família de golfinhos procura conforto antes de ser chacinada

As imagens falam por si. Num vídeo partilhado pela organização sem fins lucrativos Dolphin Project vê-se uma família de golfinhos a juntar-se depois de ter sido capturada e mantida entre redes, como que em consolo antes da morte iminente às mãos de pescadores no Japão.

As imagens foram gravadas no dia 10 de setembro, pela organização norte-americana - que se dedica ao bem-estar e proteção de golfinhos em todo o mundo -, perto de Taiji, uma pequena cidade japonesa onde é tradicional a pesca de cetáceos. O grupo de baleias-piloto, uma das maiores espécies de golfinhos, foi conduzido e mantido entre redes durante a noite antes de ser sacrificado.

Observadores do Dolphin Project disseram que, enquanto esperavam pela morte, os golfinhos juntaram-se a nadar num círculo apertado com a matriarca a consolar os membros da família. No dia seguinte, pescadores entraram na água e selecionaram oito dos animais para serem levados para cativeiro. Todos os outros foram abatidos.

Por permanecerem muitas horas presos, os animais ficam exaustos e isso permite que os pescadores os matem mais facilmente. Nas imagens também se pode ver um dos golfinhos mais jovens tão exausto que nem consegue juntar-se ao grupo.

Noutro vídeo publicado pelo Dolphin Project, vê-se que os golfinhos ficam completamente exaustos e horrorizados e começam a atirar-se contra as rochas de propósito para tentar escapar da pesca.

Segundo aquela organização, os pescadores apanharam os corpos dos animais com uma lona de plástico e colocaram-nos num barco. Os golfinhos mortos ficam pendurados na proa para serem comercializados.

Todos os anos, de setembro a final de janeiro, o governo japonês permite a caça desses animais. O Estado autoriza anualmente os pescadores daquela cidade a caçar uma cota de 1749 golfinhos, incluindo 101 baleias-piloto com barbatanas curtas.

A Agência Japonesa de Pesca autoriza os pescadores em todo o país a matar ou capturar quase 16 mil cetáceos anualmente. O país também retomou a caça comercial de baleias desde o início deste ano, apesar das críticas internacionais.

Os pescadores anunciaram que provavelmente vão atingir a cota de baleias minke, popularmente conhecida como baleia-anã, que é de 53, no final de setembro. Não se sabe ao certo quantas baleias foram capturadas no total desde que a caça foi retomada em julho.