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Família de jornalista palestiniana morta pede inquérito independente a Washington

Família de jornalista palestiniana morta pede inquérito independente a Washington

A família da jornalista de dupla nacionalidade palestiniana e norte-americana Shireen Abu Akleh, morta em maio passado no decurso de uma operação militar israelita na Cisjordânia ocupada, apelou, esta terça-feira, a um inquérito independente durante uma visita a Washington.

Os familiares da jornalista, que estão nos EUA a convite do chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, e que terão um encontro com congressistas, precisaram num comunicado que apelavam aos EUA para iniciarem o seu próprio "inquérito aprofundado, credível e transparente" sobre as circunstâncias da morte de Shireen Abu Akleh.

"Durante demasiado tempo, os Estados Unidos permitiram a Israel matar com toda a impunidade fornecendo-lhe armas, uma imunidade total e uma proteção diplomática", afirmaram, na mesma nota informativa, o irmão, a sobrinha e o sobrinho de Shireen Abu Akleh.

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"Toda a impunidade conduz à repetição. Estamos aqui para ajudar a pôr termo a este ciclo", prosseguiram.

E concluíram: "Se permitirmos que a morte de Shireen seja esquecida, enviamos uma mensagem que as vidas dos cidadãos americanos no estrangeiro não importam, que as vidas dos palestinianos que vive sob ocupação israelita não têm importância, e que os jornalistas mais corajosos do mundo, os que cobrem o impacto humano dos conflitos armados e a violência, podem ser sacrificados".

Shireen Abu Akleh, uma repórter veterana da cadeia televisiva pan-árabe Al-Jazeera, estava equipada com um colete à prova de balas e um capacete quando foi morta por uma bala na cabeça em 11 de maio quando efetuava uma reportagem em Jenin, na Cisjordânia ocupada.

Nenhum combatente palestiniano estava próximo da jornalista e os soldados israelitas encontravam-se a cerca de 200 metros.

A ONU e diversos 'media' consideram que o disparo fatal foi proveniente da arma de um soldado israelita, um cenário considerado "admissível" pelos EUA, que analisaram a bala mas excluíram a hipótese de um disparo deliberado.

Para a família da jornalista, os EUA não se envolveram o necessário neste caso e tentam proteger Israel, um eterno aliado de Washington.

Os familiares de Shireen Abu Akleh tentaram encontrar-se este mês sem sucesso com o Presidente norte-americano, Joe Biden, que se deslocou recentemente a Israel e aos Territórios ocupados, antes de uma visita à Arábia Saudita onde se encontrou com o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, acusado pelos serviços de informações norte-americanos de ter ordenado a morte de um outro jornalista, Jamal Khashoggi.

Na ocasião, Blinken convidou-os a irem a Washington para discutirem em conjunto o caso da morte de Shireen Abu Akleh.

O chefe da diplomacia norte-americana condenou a "intrusão da polícia israelita" durante o funeral da jornalista, realizado em maio.

Polícias israelitas armados com matracas tentaram dispersar uma multidão que agitava bandeiras palestinianas. O caixão quase caiu ao chão durante a intervenção policial.

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