Mundo

Família desfeita com mortes de tio e sobrinho no acidente aéreo na Namíbia

Família desfeita com mortes de tio e sobrinho no acidente aéreo na Namíbia

A árvore de Natal está pronta e tem debaixo dela os presentes que Isabel, de 42 anos, comprou para o marido, António Francisco Nunes, de 46. No dia 15, António regressaria a Salreu, em Estarreja, para passar férias, e a mulher contava os dias para o reencontro, numa alegria crescente. Sexta-feira à noite, o mundo de Isabel desabou, quando soube do desaparecimento de um avião que partira de Maputo, Moçambique, com rumo a Angola.

Teve um "pressentimento" de que António ia lá dentro e que "nunca mais o ia ver". Este sábado, teve a confirmação da tragédia.

"Foi um troca injusta, a que Deus me deu. O meu marido foi trabalhar para Angola para pagar a casa e agora fico com a casa e sem ele", lamenta Isabel, mulher de António há 22 anos.

» Veja também quem foram os outros portugueses que morreram no acidente

Também António Soares Nunes, sexagenário e tio de António Francisco, ia no avião que se despenhou. O empresário de Santo Amaro, em Beduído, Estarreja, era dono da Gruest, uma empresa de aluguer de gruas. O sobrinho, seu funcionário, tinha-se mudado, há quatro anos, para Viana, Luanda, onde geria a Gruest Angola, e o tio deslocava-se àquele país com frequência. No dia 22, saíram de Luanda rumo a Moçambique, onde se preparavam para instalar uma nova empresa. "Eram para regressar a Luanda na quarta, mas tiveram uns problemas e ficaram mais dois dias", recorda Isabel Nunes, com as lágrimas a correrem-lhe pela cara.

Três vezes por dia, o telefone de Isabel tocava. "Estava sempre à espera dos telefonemas dele. Não temos filhos e ele era tudo para mim. Era quem me dava ânimo e coragem... e agora o telefone não toca", sublinha a viúva. Na quinta-feira, António tinha dito à mulher que chegaria a Luanda por volta das 14.30 horas de sexta e que lhe telefonaria logo. "Fartei-me de lhe ligar e nada. À tarde, quando vi as notícias, pressenti que ele ia naquele avião e que tinha morrido", desabafa Isabel, que, ao final da tarde deste sábado, esperava um telefonema do consulado.