Tensão

Famílias do Estado Islâmico incendeiam campo no norte da Síria

Famílias do Estado Islâmico incendeiam campo no norte da Síria

Famílias ligadas a membros do grupo extremista Estado Islâmico (EI) incendiaram parte do campo de Ain Issa, no norte da Síria, e fugiram para áreas controladas por rebeldes sírios que apoiam a Turquia, anunciaram esta terça-feira fontes curdas.

"O campo de famílias do EI em Ain Issa, no nordeste da Síria, está totalmente fora de controlo devido ao motim e revolta dentro do campo. A maioria das famílias do EI está a fugir para áreas controladas pelas fações da Turquia", indicou o Partido da União Democrática (PYD) na sua conta da rede social Twitter, sem especificar para onde estas famílias foram.

O PYD é o braço político das milícias curdo-sírias Unidades de Proteção do Povo (YPG), que são o alvo da ofensiva lançada no passado dia 09 pela Turquia, cujo Governo os considera "terroristas" devido à sua proximidade com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, guerrilheiros curdos ativos na Turquia).

O partido divulgou esta terça-feira um vídeo em que se vê à distância uma grande nuvem de fumo negro a subir supostamente sobre o campo.

Uma fonte curda disse aos meios de comunicação, incluindo a agência de notícias Efe, que as imagens são de hoje no campo de Ain Issa.

Há dois dias, o campo de Ain Issa foi palco de uma outra rebelião por parte de familiares de combatentes do EI, a meio do caos após ataques dos rebeldes pró-turcos neste campo, segundo a versão dos curdos.

As fações rebeldes sírias que lutam no lado turco estão a avançar e a controlar áreas no norte da Síria, na fronteira com a Turquia, no âmbito da campanha militar de Ancara contra os curdo-sírios nesta região dominada por eles.

Na segunda-feira, a organização humanitária Save the Children indicou que no primeiro incidente em Ain Issa, 900 pessoas fugiram, das quais 700 eram crianças.

Alguns desses menores, incluindo britânicos, foram transferidos para um centro dirigido por uma organização local em Ain Issa e Al Raqa, segundo a organização.

No mesmo dia, também se registaram confrontos entre as famílias do EI e as Forças da Síria Democrática (FSD), aliança na qual os YPG estão integrados e encarregados de vigiar os campos no nordeste da Síria, em que há principalmente mulheres e crianças com ligações com os radicais e que foram detidas durante a ofensiva das FSD contra o grupo extremista.