Eleições

Farage olha além do 'Brexit' e promete "revolução política"

Farage olha além do 'Brexit' e promete "revolução política"

A 19 dias das eleições legislativas de 12 de dezembro, hoje foi a vez do Partido do Brexit, do eurocético Nigel Farage, apresentar um programa que, além de uma rutura com a União Europeia, promete fazer uma "revolução política" no Reino Unido.

O partido, que foi o mais votado nas eleições europeias em maio mas não tem deputados na Câmara dos Comuns, quer acabar com a Câmara dos Lordes e reformar o sistema de voto para torná-lo mais proporcional, facilitando a entrada de pequenos partidos.

O Reino Unido usa um sistema de maioria simples, conhecido por 'first past the post', para eleger os seus deputados, o que favorece os partidos Conservador e Trabalhista, entre os quais o poder tem alternado ao longo de quase um século.

O Partido do Brexit, que só foi formado este ano, também defende uma constituição escrita [a constituição do Reino Unido não está reunida num documento único] , mais referendos públicos e um corte na imigração para menos de 50.000 pessoas por ano, menos de um quarto da taxa atual.

Mas a proposta mais emblemática do chamado "Contrato com o Povo" é pressionar um potencial governo liderado por Boris Johnson, o atual primeiro-ministro, a uma rutura com a União Europeia, sem acordo ou com relações que não impliquem o alinhamento com as regras da UE.

O processo de saída do Reino Unido da UE foi prolongado até 31 de janeiro, após o qual se segue um período de transição de 11 meses para a negociação das relações futuras com o bloco.

"Sem nós, não vai haver um verdadeiro 'Brexit'", disse hoje durante a apresentação em Londres.

Uma aliança eleitoral em que o Partido Conservador removeria alguns dos seus candidatos foi rejeitada por Boris Johnson, mesmo depois de Farage anunciar que o Partido do Brexit não iria concorrer em 317 círculos dominados pelos 'tories'.

Assim, manteve-se em 275 círculos para tentar beneficiar do descontentamento de eleitores trabalhistas, recusando ceder às pressões para se retirar de todo devido ao risco de fragmentar o voto eurocético.

Desde maio, as sondagens indicam um declínio nas intenções de voto no partido de Farage, que decidiu ele próprio não se candidatar, depois de ter falhado por sete vezes a eleição como deputado britânico.

No extremo oposto do espetro político, o partido nacionalista galês Plaid Cymru também divulgou o seu programa hoje, prometendo, por seu lado, uma "revolução de empregos verdes" graças ao investimento de 20 mil milhões de libras (23 mil milhões de euros).

Oposto ao 'Brexit' e adepto de um novo referendo, defende uma eventual votação sobre a independência da região onde vivem três milhões dos 67 milhões de habitantes no Reino Unido.

Porém, a influência do partido é limitada: contava apenas com quatro dos 650 assentos da Câmara dos Comuns antes da dissolução e as sondagens só preveem que acrescente mais um, beneficiando da aliança com os Liberais Democratas e Verdes.

Os Verdes, Liberais Democratas e Partido Trabalhista foram os primeiros a apresentar os tradicionais programas eleitorais, onde ficam escritas as promessas sobre áreas como a habitação, saúde, educação ou economia e os cálculos dos respetivos custos.

O Partido Conservador tem previsto o lançamento do seu manifesto para domingo, quando deverá anunciar cortes nas contribuições para a segurança social e aumentos nas taxas imobiliárias para os estrangeiros.

Outras Notícias