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Figura de casal homossexual em chamas lança onda de indignação na Croácia

Figura de casal homossexual em chamas lança onda de indignação na Croácia

O Presidente e o Governo da Croácia juntaram-se esta segunda-feira a ativistas e condenaram a queima de uma figura que representava um casal do mesmo sexo com uma criança, num desfile de carnaval no sul do país, em Imotski.

A figura mostrava dois homens a abraçarem-se e foi queimada em frente a uma multidão de pessoas enquanto soava música fúnebre.

O Presidente da Croácia, Zoran Milanovic, condenou o incidente como um ato "desumano e totalmente inaceitável".

Milanovic exigiu que os organizadores do desfile se desculpassem e um grupo de direitos LGBTQ anunciou que vai recorrer a medidas legais.

"O evento foi observado por muitas crianças que testemunharam a propagação de ódio e incentivos à violência", disse o Presidente num comunicado.

O governo da Croácia também disse que se opõe a "qualquer tipo de discurso de ódio (...) e qualquer ato que insulte os sentimentos dos croatas e que contribua para aumentar divisões dentro da sociedade", informou a agência de notícias da Croácia, Hina.

A queima deste tipo de figuras é uma tradição croata de sátira durante o carnaval, representando geralmente figuras públicas ou políticos.

No passado, incidentes deste género incluíram a queima de um livro infantil sobre famílias do mesmo sexo, em 2018, e no ano passado foi incendiada a imagem de um político servo-croata.

O acontecimento de domingo surge no seguimento de uma decisão recente do principal tribunal da Croácia contra a discriminação de casais do mesmo sexo enquanto famílias de acolhimento.

A decisão do Tribunal Constitucional, em janeiro, foi aclamada como um passo importante na defesa dos direitos LGBTQ, mas também enfureceu muitos, num país com predominância de católicos conservadores.

A Croácia que, atualmente, preside o Conselho da União Europeia, permite o casamento de casais do mesmo sexo desde 2014, mas não a adoção de crianças.

Milanovic, um liberal, era o primeiro-ministro na altura da aprovação dessa medida.

No mês passado, ​​​​Milanovic derrubou a ex-presidente Kolinda Grabar-Kitarovic, conservadora, na corrida para chefe de Estado do país.

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