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Filmou a morte de George Floyd e vai ser galardoada por mudar "curso da história"

Filmou a morte de George Floyd e vai ser galardoada por mudar "curso da história"

Darnella Frazier filmou o momento em que George Floyd foi detido e vai agora ser galardoada por ter mudado "o curso da história", adiantou a PEN America, uma organização sem fins lucrativos que defende a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Considerada uma "mulher de raciocínio rápido e destemida", Darnella Frazier, de 17 anos, vai ser agraciada a 8 de dezembro pela PEN America numa celebração que vai decorrer inteiramente online. "Estou orgulhosa de mim mesma. Não importa quem está chateado com isso", reagiu a jovem na rede social Facebook.

"Com nada mais do que um telemóvel e pura coragem, Darnella mudou o curso da história neste país, dando início a um movimento ousado que exige o fim do racismo e da violência anti-negra sistémica nas mãos da polícia", adianta em comunicado Suzanne Nossel, diretora-executiva da PEN America.

A jovem filmou a morte do afro-americano que, a 25 de maio, morreu algemado, após o ex-agente Derek Chauvin (entretanto em liberdade condicional depois de pagar uma fiança de cerca de 800 mil euros) ter pressionado o pescoço de George Floyd com um joelho durante vários minutos.

Dois dias após o incidente, Frazier escreveu uma publicação onde afirmou ter recebido várias críticas por registar em vídeo a detenção: "Se não fosse por mim, 4 polícias ainda tinham os seus empregos. (...). A polícia definitivamente teria varrido isso para debaixo do tapete com uma história de encobrimento", disse na altura.

Desde a morte de Floyd, os Estados Unidos foram assolados por milhares de protestos e de contraprotestos contra o racismo. De acordo com o projeto "Whose Heritage?", ao todo mais de 100 monumentos confederados já foram retirados da via pública em todo o território norte-americano.

"Com notável firmeza, Darnella realizou o ato expressivo de dar testemunho e permitir que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo vissem o que ela viu. Sem a presença de espírito de Darnella e prontidão para arriscar a sua própria segurança e bem-estar, talvez nunca tivéssemos conhecido a verdade sobre o assassinato de George Floyd. Estamos orgulhosos de reconhecer a sua coragem excecional com este prémio", afirma Suzanne.

De acordo com uma nota biográfica publicada no site da PEN America, Darnella Frazier está no último ano do ensino médio em Minneapolis, Minnesota. Nascida e criada em St. Paul, Frazier começou a trabalhar aos 16 anos numa loja de pretzels local, onde foi promovida a gerente, e espera entrar na faculdade.

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