Covid-19

Finlândia recorre a armazéns secretos da Guerra Fria para enfrentar vírus

Finlândia recorre a armazéns secretos da Guerra Fria para enfrentar vírus

Guardados e acumulados desde a Guerra Fria em armazéns secretos no país, materiais médico-cirúrgicos de reserva, como máscaras, luvas ou medicamentos, permitem que o país não esteja dependente do mercado global para enfrentar a Covid-19.

A Finlândia tomou uma decisão "histórica" ao recorrer, pela primeira vez, aos vários armazéns secretos do Centro Nacional de Abastecimento de Emergência (NESA, em inglês) espalhados pelo território para se abastecer de materiais de proteção de saúde. O objetivo: garantir que nada falte aos mais de cinco milhões de habitantes do país.

O empenho em manter à distância "os fantasmas da ocupação russa no passado" fez com que a Finlândia esteja, nos dias que correm, mais bem preparada para enfrentar a pandemia de Covid-19, conta o jornal nórdico Helsingin Sanomat.

Mas há um explicação: o país está "há décadas" a desenvolver extensos planos de contingência contra qualquer tipo de crise, seja ela bélica, informática, climática ou sanitária.

Assim, ao contrário de muitos países europeus que se veem a braços com a falta de equipamentos de proteção individual (Portugal incluído), a Finlândia dispõe de um sistema que permite que o país "ganhe tempo" e minimize os problemas postos a nu pela crise sanitária no que toca à proteção dos seus cidadãos.

Por isso, decidiu socorrer-se dos armazéns da "rede de emergência", cuja localização é secreta e vedada a qualquer intromissão jornalística, para suprimir eventuais carências em termos de equipamentos de proteção individual.

Segundo os poucos relatos da imprensa local, estes espaços estão sediados nas imediações dos grandes hospitais, precisamente para que "o tempo e a distância percorrida desde que o material sai do armazém até que chegue ao paciente sejam os menores possíveis."

De acordo com o jornal nórdico, além de materiais médico-cirúrgicos, como agulhas, seringas descartáveis ou tubos intravenosos, é possível encontrar nestes armazéns outros produtos de várias proveniências, desde petróleo para subsistir durante pelo menos cinco meses ou cereais para alimentar toda a população durante seis meses.

Já a distribuição dos espaços pelo território, explicam, é diversa para "descentralizar a entrega de materiais sensíveis".

De acordo com o diretor-executivo do NESA, Tomi Lounema, não é raro recorrer a estes 'stocks', embora seja a primeira vez que se faça recurso aos bens de saúde armazenados.

No entanto, para que haja em grande quantidade e seja possível a sua renovação, a Finlândia recorre ao mercado internacional para se abastecer, em particular à China.

A "rede de emergência" finlandesa, criada em 1993 e atualmente única na Europa, não foi a única a existir no continente. O mesmo jornal dá conta que na Suécia houve uma infraestrutura similar durante a Guerra Fria, desfeita nos anos noventa, após a queda da União Soviética.

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