Itália

Foi detida a capitã que desafiou Salvini para desembarcar 40 migrantes

Foi detida a capitã que desafiou Salvini para desembarcar 40 migrantes

O navio da ONG alemã Sea Watch atracou, este sábado, no porto da cidade italiana de Lampedusa sem autorização, invocando o estado de necessidade para desembarcar 40 migrantes, depois de 17 dias no mar. A comandante do navio foi detida.

Carola Rackete, de 31 anos, foi detida pela polícia italiana "por resistência ou violência contra um navio de guerra", crime que prevê uma pena de três a dez anos de prisão, noticiou a imprensa local.

Segundo o jornal "La Repubblica", um barco de patrulha da guarda italiana tentou bloquear a entrada da embarcação da ONG no porto.

"A comandante Carola não tinha escolha", explicou o porta-voz da Sea Watch Itália, Giorgia Linardi, recordando que "durante 36 horas havia declarado um estado de necessidade que as autoridades italianas tinham ignorado", pode ler-se no artigo do mesmo jornal.

"Foi uma escolha desesperada", acrescentaram os advogados da ONG alemã Leonardo Marino e Alessandro Gamberini.

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Numa conferência de imprensa na sexta-feira, a partir do navio, Rackete dizia estar convencida de que "a Justiça italiana vai reconhecer que a lei do mar e os direitos das pessoas estão acima da segurança e do direito da Itália às suas águas territoriais".

Rackete afirmou ainda que não tinha recebido qualquer notificação sobre a abertura de uma investigação pelos tribunais italianos por ajuda à imigração ilegal, depois das notícias de que os promotores da cidade siciliana de Agrigento tinham aberto um caso.

O navio humanitário, que entrou em águas italianas há 48 horas, esperava permissão para ancorar perto do porto de Lampedusa para desembarcar as pessoas resgatadas a 12 de junho, enquanto a bordo a situação piorava todos os dias.

Rackete falou sobre a condição física e psicológica dos 40 migrantes que estavam a bordo depois de terem sido retirados por razões médicas, nomeadamente um jovem que sofria de fortes dores abdominais e o seu irmão de 11 anos que o acompanhava.

O Governo italiano recusa-se a autorizar o desembarque dos resgatados, enquanto não obtiver um acordo com outros países europeus para os acolher, o que poderia acontecer em breve, de acordo com o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, em declarações na sexta-feira em Osaka, Japão, onde participa na cimeira do G20.

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