Paquistão

Foi violada por grupo à frente dos filhos e polícia diz que a culpa é dela

Foi violada por grupo à frente dos filhos e polícia diz que a culpa é dela

Uma mulher foi violada à frente dos filhos por um grupo de homens quando o carro que conduzia ficou sem combustível na autoestrada, no Paquistão. A Polícia culpa a vítima porque "não devia viajar sozinha". O caso tem gerado muitos protestos no país.

Quinze pessoas foram detidas por ligação à violação em grupo que aconteceu por volta das 1.30 horas de quarta-feira, na berma de uma autoestrada em Lahore.

A mulher havia chamado a Polícia quando ficou sem combustível, mas, enquanto esperava por ajuda, pelo menos dois homens partiram os vidros do carro, arrastaram-na e aos dois filhos para fora do veículo e atacaram e violaram-na várias vezes à frente das crianças. Depois roubaram joias, dinheiro e cartões bancários.

A indignação em torno do caso aumentou quando Umar Sheikh, o principal investigador da Polícia, disse à comunicação social que a mulher deveria saber que não deve viajar sozinha à noite. O responsável, citado pelo "The Guardian", disse ainda que ninguém na sociedade paquistanesa "permitiria que as suas irmãs e filhas viajassem sozinhas até tão tarde" e que a vítima deveria ter escolhido uma autoestrada mais segura e certificar-se que tinha combustível suficiente para a viagem.

A vítima é residente em França e, por isso, Sheikh considera que ela errou em pensar "que a sociedade paquistanesa fosse tão segura".

Os comentários geraram muita indignação e protestos no país, com muitas pessoas a considerá-los como mais um exemplo de cultura de culpar as vítimas em casos de violência sexual no Paquistão, onde as mulheres que denunciam os casos são frequentemente tratadas como criminosas.

Shireen Mazari, ministra dos direitos humanos, disse que os comentários do investigador eram "inaceitáveis". "Nada pode jamais racionalizar o crime de violação", acrescentou. Protestos decorreram em todo o país esta sexta-feira e ativistas pelos direitos das mulheres pediram a renúncia de Sheikh.

O ataque ocorreu poucos dias após o sequestro, violação e assassinato de uma menina de cinco anos em Karachi.

O primeiro-ministro, Imran Khan, afirmou em comunicado no Twitter que estava acompanhar o caso de perto e pediu aos investigadores a "prisão e condenação dos envolvidos no incidente o mais rápido possível", acrescentando que "a brutalidade e bestialidade não podem ser permitidas em nenhuma sociedade civilizada".

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