Amnistia Internacional

Forças de segurança receberam ordens para "confrontar severamente" protestos no Irão

Forças de segurança receberam ordens para "confrontar severamente" protestos no Irão

A Amnistia Internacional (AI) indicou, esta sexta-feira, que documentos do Governo iraniano indicam que as forças de segurança receberam ordens para "confrontar severamente" os protestos antigovernamentais que eclodiram no início de setembro.

A organização não-governamental (ONG) de direitos humanos, sediada em Londres, refere que pelo menos 52 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o início dos protestos pela morte de uma mulher detida pela polícia de moralidade, com a utilização de balas reais e de bastões contra os manifestantes.

A AI também acusa as forças de segurança de terem reprimido manifestantes femininas que retiraram os seus lenços em protesto pelo tratamento às mulheres pela teocracia do Irão.

PUB

A agência noticiosa estatal IRNA referiu-se a novas violências na cidade de Zahedan, perto da fronteira com o Afeganistão e Paquistão. Homens armados abriram fogo e lançaram bombas incendiárias em direção a uma esquadra da polícia, envolvendo-se de seguida em confrontos com forças policiais.

O Irão foi abalado por uma vaga de protestos após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, em 16 de setembro, alguns dias após a sua detenção por ter infringido o estrito código sobre o uso de vestuário feminino previsto nas leis da República islâmica, em particular o uso do véu.

A sua família diz que Amini foi espancada até à morte durante a detenção. A polícia garante que morreu de ataque cardíaco e negou ter exercido violência, enquanto responsáveis oficiais indicaram que o incidente está sob investigação.

A liderança iraniana acusou entidades estrangeiras de se aproveitarem da sua morte para fomentar uma rebelião contra a República islâmica e acusou os manifestantes de "sedição", referindo que diversos membros das forças de segurança foram mortos nos confrontos.

A AI disse ter obtido uma cópia de um documento oficial onde se refere que o quartel-general das Forças Armadas ordenou aos comandantes militares em 21 de setembro que "confrontassem severamente os agitadores e contrarrevolucionários". A organização de direitos humanos diz que o uso de força letal registou uma escalada a partir dessa noite, com a morte de pelo menos 34 pessoas.

A Amnistia não indicou como obteve os documentos. As autoridades iranianas também não reagiram no imediato.

A televisão estatal iraniana referiu que pelo menos 41 manifestantes e polícias foram mortos desde o início dos protestos, em 17 de setembro. A agência noticiosa Associated Press (AP) assinalou que o balanço oficial aponta para pelo menos 14 mortos e mais de 1.500 detenções.

O Comité para a proteção de jornalistas, sediado em Nova Iorque, disse na quinta-feira que foram presos 28 repórteres.

As autoridades iranianas restringiram o acesso à internet e bloquearam o acesso ao WhatsApp e Instagram, aplicações dos 'media' sociais utilizadas pelos manifestantes para organizar e partilhar informação.

De acordo com um 'media' da oposição que atua no exterior do país, forças iranianas abriram fogo sobre manifestantes que lançavam pedras. O Iran International, uma cadeia televisiva em persa sediada em Londres, difundiu hoje diversos vídeos, que não poderem ser autenticados no imediato.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG