Covid-19

França apoia Itália na suspensão de exportações de vacinas

França apoia Itália na suspensão de exportações de vacinas

O mecanismo de solidariedade europeu da vacina contra a covid-19 ganhou esta sexta-feira um novo impulso, depois de a França admitir seguir o exemplo de Itália e bloquear as exportações para fora da União Europeia quando sejam necessárias nos 27.

A UE defendeu a decisão das autoridades italianas de suspender um envio de doses destinadas à Austrália, tendo em conta o diferendo com o fabricante de medicamentos AstraZeneca.

"Se continuam a existir estes atrasos (de fornecimento de vacinas por parte das farmacêuticas) é justo que os países da UE bloqueiem a exportação para países que não são vulneráveis", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Luigi Di Maio, após reunir-se com o homólogo francês, Jean-Yves Le Drian.

A UE indica que a decisão não visa especificamente a Austrália, e que foi tomada para garantir que a AstraZeneca entregue o número de doses que se comprometeu a enviar aos Estados-membros.

"O facto é que a União Europeia é um grande exportador de doses de vacinas", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer.

Perante a escassez de doses durante os estágios iniciais das campanhas de vacinação, a UE anunciou no início de janeiro um mecanismo de controlo de exportação, interrompendo as entregas dos fármacos contra a covid-19 para fora do bloco, numa tentativa de forçar as empresas a cumprir as suas obrigações contratuais com a UE.

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Desde que o mecanismo entrou em vigor em 30 de janeiro, a Comissão Europeia disse que foram aprovadas 174 autorizações de exportação de vacinas para 30 países diferentes fora da União.

A UE está particularmente descontente com a AstraZeneca porque a empresa está a entregar muito menos doses do que as que se tinha comprometido entregar.

Do pedido inicial de 80 milhões de doses para os 27 no primeiro trimestre deste ano, a empresa vai ter dificuldades para entregar metade dessa quantidade.

"Acreditamos que esta vacina é um elemento importante do nosso portefólio e, portanto, esperamos a entrega das doses acordadas. Estamos a trabalhar com as empresas para garantir que entreguem as doses que estão previstas para a UE. Para todas as empresas que estão a fazer isso, não há problemas de exportação", vincou Eric Mamer.

Como o fornecimento dos fármacos continua escasso nos 27 com problemas de produção e distribuição, os países europeus mostraram recentemente alguns sinais de divisão.

Vários países expressaram a sua frustração com a lenta distribuição de doses e estão a procurar soluções fora do processo de aquisição conjunta estabelecido pela UE.

Porém, a decisão de Itália de bloquear o envio de mais de 250 mil doses da AstraZeneca para a Austrália, cerrou fileiras entre os Estados-membros.

O ministro da Saúde francês, Olivier Veran, admitiu "entender" a decisão do governo italiano e disse que a França "poderá fazer o mesmo".

"Acreditem em mim, quanto mais doses tiver, mais feliz sou como ministro da Saúde", declarou o governante numa entrevista ao canal francês BFMTV, acrescentando que a França e os seus parceiros europeus estão determinados a cumprir os contratos com os fabricantes.

O governo alemão justificou também a restrição à exportação, destacando o papel da UE da investigação, desenvolvimento e produção de vacinas.

"Em geral, as exportações de vacinas não são interrompidas enquanto os contratos com a UE são cumpridos. Muitas vacinas vão da UE para países terceiros, enquanto quase nada é exportado dos Estados Unidos e Reino Unido", reiterou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

Ainda antes, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, disse que, em termos gerais, era correto que a UE assegurasse que os fabricantes de vacinas respeitassem as entregas prometidas, mas que era também importante uma coordenação entre o bloco europeu sobre restrições às exportações.

A UE acreditava estar preparada de maneira sólida para o lançamento de vacinas para os seus 450 milhões de habitantes, com acordos assinados com seis farmacêuticas diferentes.

No total, encomendou até 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca e fechou acordos com outras empresas para mais de dois mil milhões de doses.

Porém, apenas 33 milhões de doses foram administradas até agora, e apenas 11 milhões de europeus estão totalmente imunizados.

Apesar das dificuldades atuais, a meta da UE continua a ser vacinar 70% da população adulta até ao final do verão.

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