Covid-19

França vai deixar passar quem tiver teste negativo

França vai deixar passar quem tiver teste negativo

França vai autorizar, a partir de quarta-feira, o regresso de algumas pessoas provenientes do Reino Unido, mas apenas com um teste para detetar o SARS-CoV-2 que seja negativo nas 72 horas anteriores. Milhares de camiões estão presos na fronteira do Reino Unido devido às restrições impostas pelos 27, que temem nova variante de covid-19

A semente já estava plantada, mas a nova variante da covid-19 detetada no sul de Inglaterra veio agravar o problema nas fronteiras do Reino Unido, onde milhares de camiões esperam autorização para sair. Com as restrições de viagens impostas por vários países da União Europeia, com a França à cabeça e a temer esta variação do coronavírus, o caos instalou-se. Até a Comissão Europeia já recomendou que os 27 levantassem as restrições impostas. Trata-se de preservar as ligações essenciais e as cadeias de fornecimento. A França admitiu deixar passar aqueles que apresentem um teste negativo.

A covid-19 e o Brexit andaram todo o ano lado a lado sem fazer grande mossa. A teimosia de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, já havia causado problemas nas fronteiras, mas os bloqueios impostos esta semana pelos Estados-membros revelaram realmente o que pode acontecer a partir do dia 1 de janeiro se não houver acordo para relações comerciais pós-Brexit.

"Isto é mais um problema político do que de saúde como eles dizem. Não se compreende por que nos estão a barrar aqui, isto parece um teste", explicou ao JN Ricardo Pereira, desde anteontem preso num aeródromo perto do porto de Dover, onde há oito casas de banho para mais de duas mil pessoas.

A Comissão Europeia pediu que se permitisse o trânsito de cidadãos rumo aos seus países de origem ou residência. Todavia, a França admitiu apenas deixar cair o bloqueio na fronteira britânica para viajantes com residência permanente em qualquer um dos 27 países da União, desde que façam prova de um teste negativo à covid-19 com menos de 72 horas.

O Governo de Johnson acolheu, com bom grado, a decisão francesa revelando que foi feito "um bom progresso e acordo" em relação à situação nas fronteiras.

Cerca de dois mil camionistas terão passado a terceira noite nos veículos parados no condado de Kent, sudeste de Inglaterra, e continuam à espera que a França reabra o túnel do Canal da Mancha. Segundo Londres, havia apenas 945 camiões de vários países parados em Dover.

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Ricardo Pereira garantiu que ontem à noite eram já mais de dois mil. O Governo britânico parece estar a recuar nos planos de diminuir as restrições durante o Natal e está a procurar uma maneira de fazer com que as mercadorias entrem no país, para evitar uma escassez de alimentos frescos durante o período festivo, que já se faz notar.

Anteontem, Johnson pediu que se evitasse o pânico e a corrida aos alimentos, perante os entraves criados por Paris. Mesmo assim, o presidente francês, Emmanuel Macron, não recuou.

Portugal pede teste

Pelo menos 42 países proibiram voos vindos do Reino Unido, incluindo a maior parte da Europa, Canadá, Turquia, Índia, Hong Kong, África do Sul, Arábia Saudita, Israel, Chile e Argentina, entre outros. Alguns deles, como Portugal, apenas permitem a entrada a cidadãos nacionais e a estrangeiros residentes que apresentem um teste negativo à covid-19.

O Reino Unido depende da importação de certos tipos de alimentos, nomeadamente a maioria (84%) da fruta fresca, quase metade dos vegetais e cerca de um terço da carne de porco.

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