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França descobre indícios de invasão do Pegasus em telemóveis de cinco ministros

França descobre indícios de invasão do Pegasus em telemóveis de cinco ministros

As investigações realizadas pelas autoridades francesas para verificar se houve espionagem em telemóveis de membros do Governo, através do programa israelita Pegasus, permitiram encontrar indícios de invasão nos aparelhos de cinco ministros.

O portal Médiapart, que consultou um documento confidencial com os resultados das investigações realizadas no final de julho, referiu que se trata dos telemóveis dos ministros da Educação, Jean-Michel Blanquer; da Coesão Territorial, Jacqueline Gourault; da Agricultura, Julien Denormandie; dos Departamentos Ultramaninos, Sébastien Lecornu, e da Habitação, Emmanuelle Wargon.

As análises técnicas não conseguiram determinar se os telemóveis estavam realmente infetados pelo Pegasus ou se eram apenas objeto de uma identificação para uma posterior tentativa de uso dos dispositivos para roubar informações.

Os indícios de invasão datam essencialmente de 2019, embora alguns sejam também de 2020.

Anteriormente, também tinha sido constatada a invasão do telemóvel de François de Rugy, que foi ministro da Ecologia entre setembro de 2018 e julho de 2019. Nesse caso, eram vestígios de que o aparelho tinha sido objeto de identificação, mas não foi infetado pelo programa.

Segundo o Médiapart, a perícia técnica realizada em julho também descobriu que uma das pessoas cujos telemóveis apresentavam vestígios de algum tipo de ação do Pegasus era de um membro da secção diplomática da presidência da França, cujo nome não foi avançado.

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De acordo com a investigação jornalística do consórcio 'Forbidden Stories' sobre o Pegasus, revelada no final de julho, um dos potencialmente espionados era Franck Paris, assessor para a África do Presidente francês, Emmanuel Macron.

O consórcio alegou, na altura, que um dos telemóveis de Macron estava na lista de alvos do sistema de espionagem desenvolvido pela empresa israelita NSO.

O 'Forbidden Stories' afirmou que Marrocos estava envolvido como cliente dessa empresa israelita. Embora o Palácio do Eliseu não tenha reagido na altura, admitiu indicar que, se os factos fossem confirmados, seriam "muito sérios".

O Governo francês, em todo o caso, lançou um processo de verificação e reajustou alguns protocolos de segurança. A Justiça francesa, por sua vez, abriu uma investigação.

Marrocos negou qualquer envolvimento e disse que essas acusações faziam parte de uma campanha contra o país.

A empresa israelita NSO Group rejeitou hoje as alegações de que o seu 'spyware' Pegasus foi usado para espionar ministros franceses.

"Reiteramos as nossas declarações anteriores em relação aos funcionários do Governo francês. Eles não são e nunca foram alvo do Pegasus", disse um porta-voz da empresa que foi questionado pela agência de notícias EFE.

Antes do escândalo deste ano, a empresa já tinha sido acusada no passado de facilitar a espionagem de políticos e membros da sociedade civil, incluindo um caso, em 2019, em que foi acusada de espionar 1400 pessoas, incluindo vários políticos catalães, aproveitando uma vulnerabilidade da rede de mensagens WhatsApp para se infiltrar em telemóveis.

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