Afeganistão

França pede aos EUA que permaneçam em Cabul e Reino Unido apoia medida

França pede aos EUA que permaneçam em Cabul e Reino Unido apoia medida

A França quer que os Estados Unidos permitam e facilitem a evacuação dos cidadãos dos países aliados e de todos os afegãos cujas vidas corram perigo de Cabul, prolongando a operação no aeroporto com maior coordenação. Reino Unido revelou que também apoiará uma eventual decisão dos Estados Unidos de adiar a data de retirada militar do Afeganistão, prevista para 31 de agosto.

Numa entrevista publicada hoje pelo "Le Journal de Dimanche", o ministro da Europa e dos Assuntos Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, relatou as exigências feitas na sexta-feira aos EUA na reunião da NATO sobre a crise afegã, insistindo que não deve haver precipitação.

O governante afirmou que as forças e diplomatas franceses permanecerão no aeroporto de Cabul enquanto este estiver aberto e que eles estejam seguros, porque além da "prioridade" de retirar "alguns franceses" que permanecem no país, a sua "responsabilidade moral" é retirar os "afegãos ameaçados por causa de seus compromissos anteriores".

"Precisamos", acrescentou, "de tempo para cumprir essa obrigação, que é contada em dias ou semanas, não em meses".

O chefe da diplomacia francesa reclamou também na sexta-feira a Washington "uma coordenação mais eficaz e mais forte" com os seus aliados. Le Drian insiste que o seu país agirá nos casos de todos os afegãos que se manifestaram por serem ameaçados, uma lista cujo número aumenta a cada dia e que tem "centenas de nomes".

No sábado à noite chegou a Paris o quinto voo com evacuados de Cabul, neste caso com uma centena de pessoas, na sua maioria afegãos. Desde o início, na segunda-feira, na circulação entre a capital afegã, a base de Abu Dhabi que serve de escala, e o aeroporto parisiense Charles de Gaulle já foram evacuadas mais de 600 pessoas.

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Le Drian assinalou que o único problema para a retirada das pessoas ameaçadas do Afeganistão é como chegar ao aeroporto de Cabul, uma vez que existe controlo talibã, o que gera uma situação de caos à entrada do aeroporto, onde estão concentradas mais de 10 mil pessoas.

Reino Unido também apoia permanência

Num artigo publicado no jornal "Mail on Sunday", Ben Wallace, secretário da Defesa britânico, disse que se o calendário dos EUA para a retirada das suas forças for mantido, o Reino Unido "não perderá tempo" e retirará de Cabul a maioria das pessoas que esperam para deixar o país. "Talvez os norte-americanos possam ficar mais tempo e [então] terão o nosso total apoio se o fizerem", disse o responsável pela Defesa no executivo de Boris Johnson.

Wallace acrescentou que os militares britânicos do Regimento de Paraquedistas que estão no aeroporto da capital do Afeganistão enfrentam "desafios inimagináveis em Cabul, com desordem pública, multidões, calor abrasador e pessoas desesperadas".

"Soldados treinados para a guerra estão, em vez disso, a segurar bebés e a coordenar multidões", disse.

Wallace referiu que sempre defendeu que "nenhum país será capaz de tirar toda a gente" do Afeganistão. "É uma fonte de profunda tristeza para muitos de nós na NATO, e ninguém queria que 20 anos de sacrifício acabassem desta forma", disse Wallace, insistindo, porém, que o Reino Unido fará "tudo o que for possível até ao último momento".

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