França

France Télécom e gestores condenados por assédio moral

France Télécom e gestores condenados por assédio moral

"Suicido-me por causa da France Télécom." Foi assim que Michel Deparis, técnico do gigante de telecomunicações justificou, num bilhete, o modo desesperado que escolheu, em julho de 2009, para escapar à "administração pelo terror" no sentido de forçar a saída "voluntária" de 22 mil trabalhadores e mudança de funções e local de trabalho de dez mil.

Entre 2008 e 2009, outros 34 trabalhadores puseram termo à vida.

Pouco mais de dez anos depois, os então presidente, Didier Lombard, vice-presidente, Louis-Pierre Wenès, e diretor de recursos humanos da empresa, Olivier Barberot, foram considerados culpados de assédio moral e condenados a um ano de prisão e 15 mil euros de multa num tribunal correcional de Paris.

A empresa (Orange desde 2013), condenada a 75 mil euros de multa - a máxima -, além de ter de pagar mais de dois milhões de euros de indemnizações, anunciou que não vai recorrer da sentença e que criou em julho uma comissão com os sindicatos para a reparação material e psicológica dos danos da violenta "reestruturação" feita entre 2007 e 2010.

Lombard, hoje com 77 anos, presidente da France Télécom entre 2005 e 2011, vai recorrer do que considera "uma decisão política totalmente demagógica".

A sentença, que se pronunciou sobre 39 casos - 19 suicídios, 12 tentativas de suicídio e oito de depressão e outras sequelas - responsabiliza-o por assédio moral "institucional" e "sistemático" numa estratégia da empresa com o intuito de "desestabilizar os trabalhadores, criar um clima de ansiedade" e "degradar as condições de trabalho". Em 2006, terá afirmado a quadros da companhia que as saídas se fariam "pela janela ou pela porta".

No que o advogado da parte civil, Jean-Paul Teissonnière, definiu como "um imenso acidente de trabalho organizado pelo empregador", o esquema recorreu a alterações de funções, mudança de local de trabalho, colocação em tarefas impossíveis de executar, redução de salários e repetidas mensagens a incitar à saída "voluntária".

Foi uma redução de pessoal em "marcha forçada" e "os meios escolhidos para conseguir as 22 mil saídas eram interditos", considerou o tribunal. v

A construção da sede da União Europeia em Bruxelas, inaugurada em 2016, teria explorado imigrantes indocumentados, revelou o jornal belga "De Standaard". A investigação, que está a embaraçar a UE, aborda as práticas ilegais de subempreiteiros, um dos quais - o Diamond Services Group, falido em 2015 - recrutou búlgaros sem lhes ter pago salários.

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