Dijon

Francês que tentou "deixar-se morrer" em direto aceita voltar a comer

Francês que tentou "deixar-se morrer" em direto aceita voltar a comer

O francês Alain Cocq, que sofre de uma doença incurável e tentou "deixar-se morrer" em direto, no Facebook, aceitou voltar a alimentar-se.

"Já não conseguia continuar esta luta", disse Cocq, de 57 anos, no Hospital Universitário de Dijon, onde foi admitido na segunda-feira após quatro dias de interrupção de seu tratamento e alimentação.

O francês afirmou ainda que poderá voltar para casa "em sete a dez dias". "É o tempo de recuperar e montar uma equipa de hospitalização em casa", acrescentou, em declarações à AFP.

Alain Cocq, que sofre de uma doença degenerativa extremamente rara que faz com que as paredes das artérias se colem, originando uma isquémia (suspensão da circulação do sangue num tecido ou órgão), tinha suspendido todo o tratamento e alimentação na sexta-feira.

O caso tem conhecido forte mediatização em França desde que o doente pediu a intervenção do Presidente, Emmanuel Macron, para que autorizasse um médico a prescrever-lhe um barbitúrico que lhe permitisse "partir em paz". Ao contrário de outros países europeus como Bélgica ou Suíça, a eutanásia ativa é proibida em França.

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A lei francesa Claeys-Leónetti de 2016 apenas autoriza a sedação profunda a pessoas que se encontram a poucas horas da morte certa. Ainda que Cocq defenda que está "na fase final há 34 anos", não pode provar que sua morte é iminente. Ainda assim, espera que o caso provoque um "eletrochoque" que permita "autorizar o suicídio assistido".

Alain "está melhor, a luta continua, mas de outra forma", disse Sophie Medjeberg, advogada e vice-presidente da associação "Handi-Mais-Pas-Que", nomeada para ajudá-lo no final da sua vida.

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