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Franceses "com medo" dos resultados da primeira volta das presidenciais

Franceses "com medo" dos resultados da primeira volta das presidenciais

Em Beauvais, uma cidade na região do Oise que há cinco anos votou por Marine Le Pen, os habitantes inquietam-se esta manhã com a possível vitória dos extremos, havendo críticas à maneira como decorreu esta campanha para as presidenciais francesas.

"Tenho medo dos extremos. Quer seja a extrema-direita ou a extrema-esquerda, tenho medo. Só quero que sejam 20 horas para saber o resultado. Há demasiadas desculpas para se virar para os extremos, mesmo se há um fundo de verdade no descontentamento das pessoas não se pode misturar as coisas e ser contra todos os estrangeiros", disse Jacqueline, depois de votar, em declarações à agência Lusa.

Jacqueline esfrega as mãos de nervoso enquanto fala sobre os resultados desta noite. As sondagens apontam para um confronto renhido entre a candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o Presidente, Emmanuel Macron, algumas dão mesmo um ponto percentual de diferença.

"Eu votei Macron e vou voltar a votar Macron na segunda volta. Eu sou socialista, gostava de ter votado no meu partido, mas Anne Hidalgo não é possível. Há quem fale da arrogância de Macron, mas ele tem mais que fazer, é Presidente. Na covid ele fez muitas coisas e foi por ele ter metido muito dinheiro na economia que o comércio sobreviveu e não se deve esquecer isso", alertou a reformada.

Ao meio-dia, a primeira volta das eleições presidenciais em França contava com uma participação de 25,48%, quase menos 3 pontos percentuais que em 2017. No entanto, em Beauvais, quem já votou não notou esta tendência.

"Os meios de comunicação dizem que há muita abstenção, mas eu acho que até havia muita gente se olharmos para as últimas eleições. Fizemos até fila para votar. É uma impressão partilhada com outras pessoas nas mesas e que estavam a votar. Eu acho que é uma boa notícia e espero que as pessoas venham, porque é bom refilar, mas é melhor vir votar", explicou Isabelle, enfermeira, que vive nesta cidade.

Na primeira volta das eleições presidenciais de 2017, Marine Le Pen ganhou as eleições em Beauvais com 24,91% dos votos, contra Macron que se ficou por 23,5%, seguido de perto por Jean-Luc Melénchon com 20,46%. Marine Le Pen ganhou mesmo em toda a região do Oise, com 30,88%.

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"Podemos ter algumas surpresas, mas Marine Le Pen e Emmanuel Macron são os dois candidatos mais bem posicionados. Há anos que Marine Le Pen tenta limar as suas arestas, mas o programa é o mesmo do pai. São as pessoas com mais dificuldades que votam nela e pensam que é ao votar nela que a França vai voltar a ser o que era. Mas não, não vai ser isso. Ela só faz promessas", alertou Joselyne, reformada.

Já para Ahmed, que também votou cedo pela manhã, o perigo vem do atual Presidente.

"Nós, o povo, não podemos continuar com um Presidente que nos retira todas as nossas garantias sociais, a reforma, os nossos salários estão a perder valor, a vida é cada vez mais cara. Espero que Jean-Luc Mélenchon chegue à segunda volta. Ele quer um futuro positivo para a França e eu gosto disso, as outras propostas só nos trazem austeridade", defendeu este funcionário público.

Mathilde tem 18 anos e esta é a primeira vez que vota, considerando que faltou uma atenção especial os jovens nestas eleições, especialmente após dois anos de covid-19 que afetaram especialmente os mais novos, levando muitos a não pensarem votar.

"Nós não sentimos que as eleições sejam para nós porque ninguém nos fala diretamente, é preciso que sejamos nós a estar motivados para vir votar. Tudo o que é racismo não me interessa e procurei propostas para quem quer ajudar os jovens, já que para o ano entro na faculdade. Muitos dos meus amigos não vêm votar", detalhou a futura estudante de Medicina.

Com a possibilidade de haver surpresas nesta noite eleitoral, já que no boletim de voto há 12 candidatos e a abstenção pode ter um papel importante, Jacqueline espera que após um primeiro embate renhido, Emmanuel Macron ganhe e seja "mais próximos das pessoas" nos próximos cinco anos.

"Talvez seja renhido e depois Macron vai ter o voto dos outros candidatos que não passam. Eu acho que ele vai mudar e vai estar mais próximo das pessoas. Não tão altivo, se calhar. É um defeito que vem com a sua juventude", concluiu.

As mesas de voto em França encerram entre as 19:00 e as 20:00 locais (menos uma hora em Lisboa), com os primeiros resultados a serem conhecidos a partir das 20:00. Os dois candidatos mais votados hoje vão defrontar-se daqui a duas semanas na segunda volta das eleições presidenciais que se realizam a 24 de abril.

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