Austrália

Fugiu da prisão há 30 anos e arrisca ser deportado para um país que já não existe

Fugiu da prisão há 30 anos e arrisca ser deportado para um país que já não existe

Um homem que fugiu de uma prisão australiana há quase três décadas enfrenta a ameaça de ser deportado para a sua terra natal, um país que já não existe.

Natural da antiga Jugoslávia, Darko Desic tem evitado estar atrás de grades desde 1992, ano em que fugiu da cadeia enquanto cumpria uma pena de 33 meses por cultivar marijuana. Faltavam-lhe cumprir 14 meses. Agora com 64 anos, rendeu-se à polícia australiana após o confinamento em Sydney o ter deixado desempregado e desalojado.

Aos agentes da polícia, Desic confessou ter escapado da prisão de Grafton, usando uma lâmina de serra para cortar as barras da janela da cela. Com um alicate que encontrou dentro do recinto da prisão, cortou uma cerca e fugiu.

No tribunal, na quinta-feira, o procurador Scott William defendeu que o caso evoca uma "ideia romântica" de fuga da prisão e exigiu uma sentença máxima de 10 anos para garantir que outros reclusos que contemplassem a possibilidade de escapar soubessem que seriam penalizados.

Porém, o juiz impôs apenas mais dois meses à sentença de Desic. Segundo o "The Independent", o juiz admitiu que o homem escapou por "temores reais" de que, quando acabasse de cumprir a sua pena, seria deportado para a sua terra natal - então conhecida como Jugoslávia - e que, ao regressar, seria forçado a alistar-se no exército durante a guerra que durou entre 1991 a 1995 e levou à dissolução do país - uma federação de sete repúblicas.

Durante o conflito, que levou à criação da República da Bósnia-Herzegovina, Croácia, Macedónia, Montenegro, Sérvia e Eslovénia, mais de 100 mil pessoas perderam a vida.

Um homem respeitado na comunidade

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Fora do tribunal, o advogado de Desic, Paul McGirr, disse que o homem viveu e trabalhou a norte de Sydney, conquistou o "amor e respeito" da sua comunidade e não cometeu mais crimes, mas viveu sob o constante medo de voltar a ser preso. Segundo a "ABC", até arrancou os próprios dentes e nunca foi ao hospital para não ser apanhado.

Devido à sua instável situação financeira durante a pandemia, passou a dormir nas dunas das praias de Sydney.

Segundo o advogado, Desic recebeu uma carta das Forças da Fronteira Australiana a informar que seria deportado logo após a sua libertação da prisão. Porém, como o país já não existe, não é claro para onde Desic seria deportado. "Espero que alguém com um pouco de bom senso analise isso", afirmou.

Desic está agora a cumprir a sua pena original, que terminará em outubro de 2022. Nessa altura, começa a nova sentença de dois meses e o homem será libertado em dezembro de 2022.

Uma campanha pública de angariação de fundos arrecadou, até agora, 23 mil dólares (19,7 mil euros) para as despesas judiciais e de habitação.

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