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Funcionários de distribuidoras morrem de cansaço na Coreia do Sul

Funcionários de distribuidoras morrem de cansaço na Coreia do Sul

O excesso de trabalho já matou, pelo menos, 15 trabalhadores de distribuidoras sul-coreanas. Impulsionado pela pandemia de covid-19, a Coreia do Sul está a atravessar um período de grande prosperidade nas vendas online. Contudo, o crescimento está a causar graves danos na saúde dos profissionais, que fazem turnos de mais de 10 horas para entregar encomendas a tempo.

A denúncia é feita por sindicatos e familiares dos falecidos - a maior parte eram motoristas das empresas de entregas que insistem que os trabalhadores estão a morrer de "kwarosa", termo coreano para morte repentina causada por trabalharem até à exaustão.

Os sindicatos sublinham que a falta de proteção legal destes trabalhadores que fazem turnos de 68 horas semanais e que não têm seguros, contribui para esta taxa tão alta.

A isto, soma-se a crescente taxa de desemprego no país, o que retrai os trabalhadores de exigirem melhores condições, com receio de perderem a sua posição.

"Não ficarei surpreendido se um de nós também cair morto", disse um funcionário de uma distribuidora ao jornal norte-americano "The New York Times", sublinhando que está contente por, no meio da crise, ter emprego.

Um dos trabalhadores, um homem com 36 anos, colapsou no passado dia 7 de outubro, depois de um turno de 21 horas onde entregou mais de 400 encomendas.

Numa mensagem, pediu a um colega da empresa em Seul para o substituir e disse ser "demasiado". "Simplesmente já não consigo mais", escreveu ao colega. E não voltou a aparecer para trabalhar. Quatro dias depois, foi encontrado morto em casa.

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Jang Deok-jin, um jovem com 27 anos, que perdeu 15 quilos durante os 18 meses em que trabalhou nos turnos noturnos, morreu enquanto tomava banho, depois de regressar do trabalho. Foi encontrado pelo pai, caído na banheira, relata a BBC.

Os estafetas fazem parte de uma das classes de trabalhadores menos protegidas na Coreia do Sul. De acordo com a Agência de Segurança e Saúde da Coreia, só na primeira metade do ano, morreram nove trabalhadores.

Em agosto, o ministro do trabalho sul-coreano pediu às maiores empresas de logística do país para assinar uma declaração que assegurasse que os motoristas teriam descanso suficiente e que não fariam continuamente turnos noturnos.

Três delas assinaram e pediram publicamente desculpas pelas mortes dos trabalhadores. Contudo, maior parte dos contratos dos trabalhadores são feitos com agências de trabalho independentes, que atuam com intermediárias, e não com a própria empresa, deixando-os fora da proteção da legislação de trabalho.

Além disso, os sindicatos reclamam o aumento de mão-de-obra nos armazéns de distribuição, prometido pelas empresas.

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