Elizabeth Holmes

Fundadora da Theranos condenada a 11 anos de prisão

Fundadora da Theranos condenada a 11 anos de prisão

A antiga estrela de Silicon Valley que prometeu revolucionar os testes de sangue com a sua start-up Theranos foi condenada por fraude e vai enfrentar uma pena de 11 anos de prisão. A sentença do ex-companheiro - que Holmes acusou de abuso e de ter prejudicado o seu discernimento - será conhecida em dezembro.

Aos 30 anos, era a mais jovem empreendedora do mundo a tornar-se bilionária, avançava a Forbes, em 2014. A "próxima Steve Jobs". E não era para menos.

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Acabada de sair do curso de Engenharia Química da Universidade de Stanford, com 19 anos, Elizabeth Holmes criou a empresa de biotecnologia Theranos, que se preparava para revolucionar o diagnóstico de doenças.

Com apenas algumas gotas de sangue, a tecnologia prometia realizar centenas de exames laboratoriais capazes de detetar doenças como o cancro. Tudo sem recorrer a agulhas. Não faltaram investimentos milionários no projeto, nomeadamente do diplomata americano Henry Alfred Kissinger e do magnata dos media Rupert Murdoch.

No entanto, uma investigação jornalística realizada em 2015, com a ajuda de um informador, expôs um dos maiores escândalos de Silicon Valley, o maior polo de inovação do mundo.

A empresa de Holmes não estava a utilizar a tecnologia com a qual tinha conquistado o mundo, mas sim equipamentos de outras instituições. Tudo não passava de uma fraude. Os processos judiciais multiplicaram-se e a queda da "menina de ouro" foi ainda mais rápida do que a ascensão. Em 2018, a Theranos colapsou e a empresária foi detida, assim como o seu parceiro de negócios e ex-namorado Ramesh Balwani.

O julgamento de Holmes, agora com 38 anos, começou em setembro de 2021 e em janeiro deste ano o tribunal declarou-a culpada de ter enganado deliberadamente os investidores. Antes de ser conhecida a sentença, a equipa de defesa pediu uma condenação a 18 meses de prisão domiciliária.

Julgamento do ex-companheiro explica demora da sentença

A longa espera de Elizabeth Holmes pela decisão do júri é incomum. Deve-se, em parte, ao facto de o ex-companheiro Sunny Balwani ter sido julgado separadamente. A empresária acusou-o de abuso e de ter "anulado a sua capacidade de tomar decisões".

"Controlava o que ela comia, vestia, o dinheiro que gastava e com quem podia interagir. Basicamente, dominava-a, anulando a sua capacidade de tomar decisões", afirmaram os advogados da americana. Acusações que o antigo parceiro de negócios sempre negou. No verão, Balwani foi também considerado culpado do crime de fraude, sendo que a sua sentença será conhecida em dezembro.

Outro aspeto que contribuiu para o atraso do veredicto, previsto para o mês passado, foi um novo argumento da defesa, segundo a qual uma testemunha-chave do processo, o ex-diretor do laboratório Theranos, Adam Rosendorff, teria dito ao marido de Holmes, Billie Evans, que a acusação "tentou fazer com que todos parecessem culpados".

No entanto, quando questionado numa audiência de emergência, Rosendorff disse que mantinha o seu testemunho original.

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