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Furacões mais fortes e duradouros devido às alterações climáticas

Furacões mais fortes e duradouros devido às alterações climáticas

O novo estudo do Instituto de Ciência e Tecnologia do Japão sobre os furacões revela que as tempestades estão a sofrer alterações devido ao aquecimento global e às alterações climáticas. A sua passagem na terra é cada vez mais forte e duradoura.

Investigação mostra que, quando atingem a terra, os furacões do Atlântico Norte mantêm a sua força, o que antigamente não acontecia. Em 1960, os cientistas descobriram que, desde o primeiro dia em que chegavam à terra, os furacões perdiam 75% da intensidade. Contudo, atualmente, perdem apenas 50%. Ao longo destes 50 anos, o tempo necessário para que as tempestades tropicais se dissipem praticamente duplicou, indica o estudo do Instituto de Ciência e Tecnologia do Japão.

Este ano, o Atlântico Norte já bateu o recorde de tempestades, sendo que o furacão "Theta" foi o 29.º. Em 2005 foram contabilizadas 28. A época dos furacões é de 1 de julho a 30 novembro e quando as tempestades atingem os 63 quilómetros são consideradas prejudiciais. Por essa razão, é-lhes atribuído um nome para informar a população da sua chegada.

Os investigadores acreditam que as alterações climáticas dão mais energia às tempestades. Acredita-se que, nos próximos anos, os furacões tornar-se-ão ainda mais perigosos. As tempestades que têm atingido a terra persistem por um maior período de tempo e provocam mais estragos. Exemplo disso é a tempestade Harvey de 2017, na região de Houston no Texas, que durou vários dias e libertou milhões de toneladas de água.

"Demonstrámos que os furacões decaem a um ritmo mais lento em climas mais quentes. Relativamente às razões subjacentes, o nosso estudo sugere que as alterações climáticas são as culpadas", explica Pinaki Chakraborty, professor responsável pelo estudo, publicado na revista Nature.

"Penso que todos ficaram surpreendidos com os números que as tempestades atingiram. A rápida intensificação parece ser o assunto do momento. Com as condições
tão quentes como estão no momento, devemos esperar assistir a eventos que se intensificam rapidamente", confessa Jill Trepanier, especialista em meteorologia da Universidade do Estado da Luisiana, nos EUA, ao jornal The Guardian.

As alterações climáticas estão a impedir que as tempestades desapareçam rapidamente a partir do momento em que atingem a terra. O ar quente que paira nos oceanos é a ignição para os típicos ventos intensos que caracterizam este tipo de tempestades. Normalmente, quando atingem a terra, o combustível do mar que as alimenta deixa de existir e, por isso, a sua dissipação devia ser bastante rápida, mas a humidade acaba por impedir o processo.

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"Através de simulações, demonstrámos que a decadência é mais lenta porque é alimentada por um aumento na quantidade de humidade que é armazenada no furacão na sua passagem pelo oceano antes do desembarque. Infelizmente, a nossa pesquisa também sugere que, à medida que o clima continua a aquecer, a decadência dos furacões ficará cada vez mais lenta e, consequentemente, as regiões do interior enfrentarão tempestades cada vez mais fortes", assegura Pinaki.

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