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05.12.2019

Protesto

Anónimos "calam" vozes dos sindicatos em greve nacional de França

Anónimos "calam" vozes dos sindicatos em greve nacional de França

A coesão entre profissões e sindicados foi conseguida esta quinta-feira na greve geral, que segundo os sindicatos, contaram com mais de 250 mil pessoas. Contudo, alguns anónimos com a cara tapada causaram distúrbios nas ruas de Paris.

A convicção de sindicalistas ouvidos pela agência Lusa é que o protesto só acaba quando o Governo recuar no projeto de reforma do sistema de pensões, ideia reforçada pelo facto de a greve se ter generalizado a todos os setores da sociedade francesa, com cortejos nalguns pontos perturbados por "black blocs" [grupos que se reúnem, mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua].

"Em 1995 partimos dos mesmos princípios, mas não tivemos o tempo de preparação que tivemos agora. Nessa altura era muito mais os regimes especiais e hoje está toda a gente na rua. Estamos muito mais num modelo 1968 do que em 1995", afirmou Bertrand Hammache, secretário-geral da CGT-RATP em declarações à Agência Lusa, que já trabalhava na empresa de transportes de Paris em 1995 quando houve uma greve que durou três semanas também devido a uma proposta do Governo para mudar o sistema de pensões.

"O Governo não recuou na sua proposta apresentada em julho, portanto o que aconteceu foi que fomos angariando mais apoio para a nossa causa em todo o país. A reforma não é só dos regimes especiais, é de todos como se pode ver", indicou o secretário-geral da empresa que gere os transportes de Paris e que esteve na vanguarda desta greve.

Mas não foram só sindicatos e pessoas preocupadas com as pensões que responderam à chamada. O cortejo em Paris viu o trajeto cortado devido a incidentes entre a polícia e "black blocs" que não permitiram o avanço dos tradicionais carros com os símbolos dos sindicatos que assinalam a presença das diferentes classes profissionais.

Prevendo já a degeneração dos protestos, a prefeitura de Paris reforçou a segurança da capital com seis mil polícias, mas isso não impediu desacatos, incluindo alguns pequenos incêndios na Praça Republique.

Para quem veio protestar pelas suas condições de trabalho e o possível novo sistema de pensões, as respostas do Governo não são suficientes.

Segundo dados recolhidos pela agencia de noticias francesa, AFP, mais de 510.000 pessoas participaram nas manifestações desta quinta-feira, associadas à greve geral, em 70 cidades francesas.

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