08.12.2019

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Cerca de 800 mil marcham em Hong Kong para assinalar seis meses de contestação

Cerca de 800 mil marcham em Hong Kong para assinalar seis meses de contestação

Cerca de 800 mil manifestantes pró-democracia marcharam hoje pelas ruas de Hong Kong, quando se assinalam seis meses desde o início dos protestos contra o regime de Pequim, referem os organizadores.

"Tivemos 800.000 participantes", disse à imprensa Eric Lai, da Frente Civil dos Direitos Humanos (CHRF, na sigla inglesa), organização não-governamental que se tem assumido como a principal organizadora dos protestos.

Este é o valor mais elevado desde o início dos protestos, em junho deste ano.

A polícia de Hong Kong, cujas estimativas são por norma mais baixas, ainda não publicou qualquer número.

Várias centenas de milhares de pessoas concentraram-se no início da tarde na ilha de Hong Kong para participar na marcha.

Já de noite, os participantes acenderam as luzes dos seus telefones e entoaram canções.

A antiga colónia britânica enfrenta, desde junho, a sua pior crise desde a transferência para Pequim, em 1997, com ações quase diárias em que os manifestantes exigem reformas democráticas e a investigação do comportamento da polícia.

A manifestação ocorreu duas semanas depois do triunfo dos candidatos pró-democracia nas eleições locais de 24 de novembro, contrariando as afirmações das autoridades que defendiam que a maioria silenciosa se iria opor aos manifestantes.

Muitos dos manifestantes, trajados de negro, manifestam a sua indignação contra a administração de Pequim e contra a líder do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que continua a recusar-se a cumprir as exigências reforçadas pela larga vitória dos movimentos pró-democracia.

"Não importa como expressamos as nossas opiniões, se através de uma marcha pacífica, se através de eleições civilizadas. O Governo não ouvirá", lamentou um manifestante de 50 anos citado pela France-Presse.

"Ele [o Governo central] obedece apenas às ordens do Partido Comunista Chinês", disse o manifestante, identificado como Wong.

Jimmy Sham, funcionário da CHRF, considerou que "esta é a última oportunidade dada pelo povo à senhora Lam".

Algumas horas antes do início da manifestação, as autoridades de Hong Kong detiveram 11 pessoas e apreenderam várias armas, incluindo uma pistola.

Esta é a primeira vez que uma arma de fogo é apreendida nos seis meses de protestos na cidade.

Além da pistola semiautomática de nove milímetros, a polícia também apreendeu 105 balas, facas, sabres, cassetetes, gás pimenta e petardos.

A polícia de Hong Kong detalhou que os detidos são oito homens e três mulheres, entre os 20 e os 63 anos, e que todos fazem parte de um grupo com ligações a um outro procurado pelo lançamento de 'cocktails molotov' contra a esquadra policial do distrito de Mong Kok, em 20 de outubro.

Na segunda-feira, assinalam-se seis meses desde o primeiro protesto em Hong Kong contra o projeto de extradição para a China e outros países.

Na origem dos protestos antigovernamentais está uma polémica proposta de emendas à lei da extradição, já retirada formalmente pelo Governo de Hong Kong, mas os manifestantes têm outras exigências como a demissão da chefe do executivo e do Governo da Região Administrativa Especial.

A antiga colónia britânica passou a ser uma região administrativa especial chinesa em 01 de julho de 1997.

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