19.03.2018

Brasil

Gritos e lágrimas de milhares na favela onde nasceu Marielle Franco

Gritos e lágrimas de milhares na favela onde nasceu Marielle Franco

Cerca de duas mil pessoas manifestaram-se, este domingo, no Rio de Janeiro, na favela onde nasceu Marielle Franco, a vereadora assassinada na quarta-feira, para exigirem justiça para esta militante empenhada contra o racismo e a violência policial.

"A voz de Marielle não vai ficar silenciada" foi a palavra de ordem da marcha.

Marielle Franco, uma carismática mulher negra de 38 anos que em 2016 foi eleita conselheira municipal, envolveu-se intensamente contra o racismo e a violência policial.

No regresso de uma reunião sobre a defesa dos direitos das mulheres negras, o carro onde viajava foi abordado por outro veículo e após uma curta perseguição, Marielle Franco foi atingida por diversos disparos na cabeça. O seu motorista também foi morto, e a sua assistente ficou ferida.

A militante, eleita nas listas do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL, esquerda), era natural da favela da Maré, uma das mais violentas do Rio de Janeiro e situada na zona norte da cidade, não longe do aeroporto internacional.

Este vasto bairro com 140 mil habitantes regista desde há vários anos frequentes tiroteios, entre guerras de bandos de narcotraficantes e musculadas intervenções das forças policiais.

A manifestação de hoje, onde a consternação e a cólera conviveram, foi a última de numerosas mobilizações que têm decorrido no Brasil na sequência deste assassinato, que muitos definem como uma execução e que está a agitar o país, quando foi revelado que o crime terá sido cometido com munições utilizadas pela polícia.

Segundo o ministro da Segurança, as balas utilizadas no assassinato foram roubadas há alguns anos à polícia.

Na quinta-feira, 50 mil pessoas tinham-se já manifestado no Rio e cerca de 30.000 em São Paulo, enquanto milhares também saíram à rua em diversas grandes cidades do Brasil.

Na sexta-feira, uma criança de um ano, um homem e uma mulher foram mortos por balas perdidas durante um tiroteio entre traficantes de droga e a polícia numa favela do norte do Rio de Janeiro.

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