25.08.2019

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Capacetes, fisgas e chapéus de chuva. Mais um dia de confrontos em Hong Kong

Capacetes, fisgas e chapéus de chuva. Mais um dia de confrontos em Hong Kong

Este domingo volta a ficar marcado por confrontos nas ruas de Hong Kong entre manifestantes pró-democracia e a polícia, que a chuva não impediu.

Centenas de manifestantes pró-democracia reuniram-se num estádio, debaixo de chuva, e começaram a desfilar pelas ruas de Hong Kong, onde outros ajuntamentos se preparam, após os violentos confrontos de sábado.

O território semiautónomo chinês está a atravessar a mais séria crise política, desde a transferência para a China em 1997.

Desde junho que ações quase diárias têm sido organizadas para denunciar o declínio das liberdades e a crescente interferência de Pequim, em protestos que têm sido marcados por violência, mas também por muita criatividade.

Para fazer face a estas manifestações, o Governo de Hong Kong tem usado uma variedade de métodos, desde intimidação até propaganda e pressão económica, para tentar conter o desafio, naquilo que os manifestantes apelidam de "terror branco".

O MTR - metro da cidade - é o mais recente entre as empresas de Hong Kong a enfrentar críticas do público, depois de aparentemente ter cedido às críticas dos meios de comunicação oficiais chineses, que acusaram a rede de transporte de ser um serviço "exclusivo" dedicado aos manifestantes, permitindo-lhes evoluir de um ponto de encontro para outro.

No domingo, o MTR anunciou que fecharia algumas estações de Tsuen Wan, perto do local principal do protesto, pela segunda vez neste fim de semana.

Estes protestos têm-se caracterizado também pela criatividade e originalidade, com ações marcadas por espetáculos de laser, iniciativas comerciais, correntes humanas, ou até 'post-it', tudo para manter vivo o movimento.

"As ações chatas não são interessantes para ninguém, precisamos de originalidade para atrair a atenção dos media ocidentais", disse Dennis Wong, um programador de 25 anos, que conversa online com outros manifestantes.

Enquanto os movimentos sociais no Ocidente geralmente consistem em demonstrações clássicas, os habitantes de Hong Kong têm uma caixa de ferramentas substancialmente maior. "Somos inspirados em parte pelo que foi feito nos países do antigo bloco socialista na Europa, ou pelos estudantes da Praça Tiananmen de Pequim em 1989", explica Wong.

A sua última grande ação foi uma corrente humana de milhares de pessoas que, na sexta-feira à noite, se estendeu ao longo de quilómetros pelas ruas da antiga colónia britânica, que regressou para a China em 1997.

Iniciada em junho, a partir da recusa de um projeto de lei polémico autorizando extradições para a China, a mobilização tem alargado as suas reivindicações, para exigir um sufrágio universal, com receio da crescente interferência de Pequim.

Esta região semiautónoma já tinha vivido um grande movimento social em 2014, que ficou conhecido como "Revolução dos Guarda-chuvas" (numa referência aos guarda-chuvas usados contra os efeitos do gás lacrimogéneo), para exigir a instauração de um sufrágio universal efetivo, em vez de o chefe de Governo ser escolhido pelo Partido Comunista da China.