07.01.2018

Manifestação

Milhares protestam contra reeleição do presidente das Honduras

Milhares protestam contra reeleição do presidente das Honduras

Milhares de manifestantes liderados pelo líder da oposição das Honduras, Salvador Nasralla, juntaram-se na segunda maior cidade do país para protestar contra a reeleição do presidente Juan Orlando Hernandez, depois da decisão do Supremo Tribunal Eleitoral.

"Não vamos parar até Hernandez dizer que se vai embora", gritou Nasralla aos apoiantes, muitos dos quais entoavam palavras de ordem como "Fora com JOH", numa referência às iniciais do presidente.

Foi a primeira grande manifestação em San Pedro Sula desde as eleições de 26 de novembro, e surge um dia depois de o Supremo Tribunal Eleitoral ter rejeitado o recurso da oposição sobre o resultado eleitoral.

Na manifestação, o candidato derrotado nas urnas apelou novamente à Organização dos Estados Americanos e aos países que reconheceram o resultado para ouvirem os manifestantes.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal Eleitoral (STE) rejeitou o recurso da oposição que pretendia anular a proclamação da vitória do presidente em exercício, Juan Orlando Hernandez, nas eleições de novembro, alegando ter havido fraude.

Numa declaração divulgada no sábado, o STE declarou "não aplicável" os fundamentos do recursos, alegando que faltam evidências sobre a existência da fraude defendida pela oposição de esquerda.

A oposição hondurenha anunciou a 27 de dezembro que apresentou um recurso por "fraude" junto da autoridade eleitoral para exigir o cancelamento da reeleição do Presidente Juan Orlando Hernandez, fortemente contestada no país.

O candidato da oposição, Salvador Nasralla, anunciou que renunciava à disputa pela vitória sobre o ex-chefe de estado cessante, depois dos Estados Unidos terem dado os parabéns a Hernandez.

Contudo, o coordenador da Aliança da Oposição à Ditadura (esquerda), Manuel Zelaya, interpôs o recurso, denunciando uma "fraude na contagem de votos e a falsificação das atas".

Apesar do anúncio de retirada, Salvador Nasralla reuniu-se novamente com Manuel Zelaya para implementar uma estratégia de mobilização em caso de rejeição do apelo.

Dois recursos anteriores da oposição já foram rejeitados pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

O Presidente Hernandez, de 49 anos, foi oficialmente declarado vencedor das eleições de 26 de novembro com 42,95% contra 41,42% da Nasralla, um popular apresentador de televisão de 64 anos sem experiência política.

No final das eleições, na ocasião da publicação de resultados parciais, com 57% dos votos contados, Nasralla aparecia com uma vantagem clara sobre o adversário.

Entretanto, Hernandez assumiu a liderança após uma série de interrupções no sistema de contagem de TSE.

Após a proclamação oficial do TSE em dezembro, os opositores bloquearam ruas nas Honduras por vários dias e entraram em confronto com polícias e soldados, que usaram gás lacrimogéneo para dispersá-los.

De acordo com os números de Zelaya, 34 pessoas foram mortas durante essas manifestações.

As Nações Unidas e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenaram "o uso excessivo da força usada para dispersar as manifestações" que "levaram à morte de 12 manifestantes" e a brutalidade cometida sobre os manifestantes presos.

Uma dúzia de países, incluindo os Estados Unidos, reconheceram Hernandez como o Presidente eleito.

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