17.11.2019

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Olho por olho. Chilenos ficam cegos em protesto

Olho por olho. Chilenos ficam cegos em protesto

Vários manifestantes alegam que ficaram cegos ou gravemente feridos depois de terem sido atingidos pela Polícia de choque com balas de borracha e latas de gás lacrimogéneo nos olhos. Patricio Acosta, presidente da Cruz Vermelha do Chile, disse que houve mais pessoas a ficar sem um dos olhos nas últimas três semanas do que em vinte anos, no país. A Sociedade Oftalmológica do Chile registou 225 lesões oculares graves entre 19 de outubro e 10 de novembro.

Ao fim de um mês de contestação na rua, extrema repressão policial e violência (pelo menos 22 mortos e mais de dois mil feridos), o presidente do Senado anunciou, na sexta-feira, um "Acordo de Paz e Nova Constituição". Em abril, os chilenos dirão em referendo se querem uma nova Constituição e quem deve redigi-la. A esquerda quer uma assembleia constituinte.

O objetivo é revogar a Constituição da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90), exigência central na contestação ao presidente Sebástian Piñera, iniciada a 14 de outubro. A espoleta foi o aumento dos preços dos bilhetes do metro. Mas havia outros (eletricidade, pão...) e razões de fundo (agravamento de desigualdades, pensões sociais reduzidas...). Piñera cancelou os aumentos, mas a rua não cedeu. Remodelou o Governo, mas centenas de milhares não transigiram.