30.08.2017

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Princesa Diana continua no coração do povo 20 anos após a sua morte

Princesa Diana continua no coração do povo 20 anos após a sua morte

A princesa Diana morreu faz, quinta-feira, 20 anos. É uma das figuras mais marcantes do século XX, tendo aproximado a realeza britânica do povo e promovido causas como a luta contra as minas terrestres.

Desde que anunciou o seu noivado com o príncipe de Gales, em 1981, até a sua trágica morte num acidente de carro num túnel parisiense a 31 de agosto de 1997, quando tinha 36 anos, a popularidade da educadora de infância que se tornou na "Princesa do Povo" nunca parou de crescer. E mesmo depois disso o seu legado perdura.

Grande parte desta admiração resultava do forte empenho que dedicou à caridade e às causas humanitárias, em especial pelo grande envolvimento que demonstrou no combate ao HIV/SIDA e na Campanha Internacional pela Proibição de Minas Terrestres (ICBL, sigla em inglês). Mas sobretudo pela forma como se relacionava com o povo.

Esta ligação especial de Diana com os plebeus fez escola, e hoje é seguida pelos seus dois filhos: William, o herdeiro real, e Harry. Ambos adotaram a abordagem mais intimista de Diana, prosseguindo a tarefa de humanizar a instituição real britânica.

À sua própria maneira, William e Harry têm usado a sua posição e experiência para quebrar tabus. Ambos já falaram abertamente sobre os seus problemas de saúde mental - relacionados com a perda da mãe quando eram muito novos - tal como, no seu tempo, Diana quebrou tabus ao abraçar doentes com sida para acabar com os receios para com a doença.

O maior legado de Diana, no entanto é a ideia de que as celebridades e as figuras com popularidade podem usar a sua "ligação" - real ou percecionada - com milhões de pessoas para funcionar como agente de mudança.

O público ficava fascinado com tudo o que fazia ou dizia, considera o sociólogo Ellis Cashmore. Diana conseguia manipular esse interesse público e usá-lo a seu favor, promovendo causas beneméritas, mas também puxando o povo para o seu lado, como quando o casamento com Carlos colapsou, devido ao relacionamento do príncipe com Camilla Parker Bowles.

As celebridades de hoje adotaram esse mesmo modelo - criado numa época em que os jornais e a televisão constituíam a principal fonte de informação - mas atualmente levado a níveis impensáveis, graças às redes sociais Facebook e Instagram.

Ao sentir-se encurralada num casamento falhado com Carlos, Diana escolheu partilhar a história com o grande público que a adorava. Fê-lo de forma indireta, passando os pormenores da sua vida a um intermediário, que depois gravava cassetes e as passava ao biógrafo Andrew Morton. Desta forma poderia negar ter falado com Morton quando a biografia fosse publicada.

"O que ela estava a fazer era extraordinário. (...) A contar os pormenores mais íntimos da sua vida - sobre a Camilla, os seus problemas alimentares, as tentativas de suicídio mal-amanhadas - com um estranho. A falar de coisas das quais uma princesa nunca tinha falado", disse Morton à agência de notícias norte-americana.

A aposta resultou. Morton contou a história de Diana e o grande público amou-a ainda mais por causa disso. O funeral de Diana, em 6 de setembro, reuniu dezenas de milhares de pessoas e montanhas de flores nos palácios de Kensington e de Buckingham.

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