Conflito

Gaza de novo no olho de um furacão há décadas a ceifar vidas

Gaza de novo no olho de um furacão há décadas a ceifar vidas

Israel anunciou este domingo que matou mais um líder do braço armado da Jihad Islâmica Palestiniana no sul da Faixa de Gaza, o segundo alto quadro do grupo a morrer neste que é o pico de violência no território desde 2021. O balanço de vítimas continua a subir.

Ao terceiro dia da escalada do conflito israelo-palestiniano na Faixa de Gaza - sem descanso desde o século XX até aos dias de hoje, com abrandamentos e recrudescimentos de tensões e arrasadores embargos comerciais - morreram 32 palestinianos e 215 ficaram feridos nos bombardeamentos israelitas, segundo o Ministério da Saúde do enclave palestiniano, num balanço feito este domingo.

Entre as vítimas da ofensiva iniciada na sexta-feira - e que o lado israelita prevê durar uma semana sem negociações de cessar-fogo - estarão seis crianças e dois líderes da Jihad Islâmica na Palestina, atual alvo de Israel. "As forças de segurança vão atuar contra os terroristas da Jihad e remover a ameaça para os cidadãos de Israel", avisou o primeiro-ministro israelita, Yair Lapid.

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O grupo militante, que prega a constituição de um Estado Islâmico na Palestina e que é considerado terrorista por Israel e seus parceiros ocidentais, viu os ataques como uma "declaração de guerra" e tem respondido com centenas de projéteis, que fizeram soar as sirenes de alarme não só nas localidades fronteiriças, mas também em Telavive - embora a maioria dos foguetes tenha atingido áreas abertas ou sido intercetada pelo sistema de defesa aérea de Israel. "A batalha está apenas no início", avisou, no primeiro dia da escalada, o líder do grupo em Gaza, Mohammed al-Hindi.

Mais de um ano depois do conflito de 11 dias que opôs Jerusalém ao movimento islâmico palestiniano Hamas, e que matou mais de 200 palestinianos e 12 israelitas, a Jihad Islâmica está no centro dos ataques israelitas, que provocaram a morte dos líderes Tayseer Jabari, na sexta-feira, e Khaled Mansour, hoje anunciada pelo exército do país, como resultado de um ataque em Rafah, no sul de Gaza, que abateu ainda outros dois combatentes e causou 30 feridos. Segundo o ministério do Interior palestiniano, a ofensiva na cidade matou sete pessoas, incluindo, além dos membros do grupo, uma criança e duas mulheres, cujos corpos foram recuperados dos destroços de um edifício bombardeado por Israel.

Já no norte de Gaza, no sábado, pelo menos nove palestinianos perderam a vida, incluindo três crianças, numa explosão em Jabalia, mas o porta-voz do exército israelita, rejeita a responsabilidade, alegando que as vítimas morreram numa tentativa falhada de lançamento de um rocket palestiniano. "Não lançámos ataques naquela altura", declarou Ran Kohav, citado pelos órgãos de comunicação locais.

"Operação preventiva" é pico de violência desde 2021

O reacendimento de um conflito responsável por uma forte e já muito longa crise económica e social aconteceu depois de os israelitas terem lançado o que apelidaram de "operação preventiva" contra a Jihad Islâmica, alegando que o grupo, com ligações ao Irão, estava a preparar um ataque contra Israel. Segundo um porta-voz militar israelita, Khaled Mansur foi um dos principais responsáveis por múltiplos ataques a israelitas e pelo lançamento de foguetes durante a escalada de maio de 2021. Este é, aliás, o pico mais gravoso de violência desde então.

A inflamação de tensões já levou a que cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Emirados Árabes Unidos, China, França, Irlanda e Noruega) solicitassem uma reunião face à escalada das tensões. Os EUA e a União Europeia reiteraram o direito de Israel a defender-se dos grupos terroristas, apelando, no entanto, a que se evite uma escalada da violência, e a Rússia manifestou "extrema preocupação", pedindo "máxima contenção". Os países árabes, como Iraque, Síria, Jordânia e Líbano, condenaram a "agressão" israelita, e o Irão colocou-se ao lado dos militantes palestinianos de Gaza: "Não estão sozinhos. Estamos com vocês neste caminho."

Hamas ainda pode reagir

O Hamas, que assumiu o controlo da Faixa de Gaza em 2007, condenou os ataques e avisou que Israel "vai ter de pagar o preço", assegurando "estar preparado" para retaliar. "A resistência, com todas as suas armas militares e fações, está unida nesta batalha", fez saber o porta-voz do grupo islamita, na sexta-feira, embora a promessa de união não se tenha ainda concretizado. O Hamas, que conseguiu recentemente ajuda económica para os habitantes de Gaza, não se juntou ao lançamento de foguetes contra Israel, mantendo-se para já à margem do conflito.

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